
O prédio da Clínica Veterinária Municipal de Teresina, construída com cerca de R$ 1 milhão em recursos públicos, está abandonado desde que foi concluído em setembro de 2024.
Localizado no Loteamento Hugo Prado, na Zona Sul da capital, o espaço foi projetado para oferecer atendimento gratuito a animais, mas nunca chegou a funcionar. O cenário expõe um impasse entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Teresina e voltou ao centro do debate após novas denúncias.
A situação ganhou repercussão após a ex-vereadora Thanandra Sapatinhas denunciar, em março deste ano, a depredação da estrutura. Segundo ela, o prédio foi entregue, mas ficou sem uso e acabou vandalizado ao longo do tempo. Portas, janelas e instalações foram destruídas, em um quadro que, para a ex-parlamentar, representa o fracasso de um projeto defendido durante seu mandato.

O tema, no entanto, não é novo. No ano passado, o Portal Atualize já havia mostrado a situação do hospital, apontando que o prédio, mesmo após concluído, nunca entrou em operação e apresentava sinais de abandono. À época, já se destacava o impasse entre Estado e Prefeitura sobre a responsabilidade pela ativação do serviço, além do risco de deterioração da estrutura.
O caso envolve diretamente a gestão municipal. Thanandra é esposa do vice-prefeito de Teresina, Jeová Alencar, o que amplia a pressão sobre a Prefeitura para apresentar uma solução. Nos bastidores, a cobrança é clara: a ativação do hospital depende de decisão administrativa do próprio município.

A origem do impasse está na divisão de responsabilidades estabelecida em termo de cooperação técnica firmado entre o Governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento do Piauí, e a Prefeitura de Teresina. Pelo acordo, o Estado ficou responsável pela construção da estrutura física do hospital, enquanto cabe ao município equipar, administrar, contratar profissionais e garantir o funcionamento do serviço.
Na prática, a obra foi concluída, mas a etapa essencial não avançou. Sem gestão e sem operação, o prédio permaneceu fechado e vulnerável, o que contribuiu para a depredação. Relatos indicam que gestões municipais anteriores não formalizaram o recebimento do equipamento, e a atual administração ainda não apresentou uma solução concreta para colocá-lo em funcionamento.
Enquanto isso, a população segue desassistida. O hospital foi projetado para oferecer atendimento veterinário gratuito, incluindo consultas, cirurgias e castrações, especialmente para famílias de baixa renda. Sem o serviço, a demanda permanece sem resposta.
O Ministério Público acompanha o caso e deve apurar responsabilidades pelo abandono da estrutura. A investigação busca esclarecer por que uma obra concluída com recursos públicos não se transformou em política pública efetiva.
No fim, o hospital que deveria cuidar virou problema. Entre acusações, omissões e jogo político, o que permanece é um prédio vazio e uma política pública que nunca saiu do papel.




