
Líder do governo na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vai solicitar à Polícia Federal (PF) a inclusão do governador fluminense Cláudio Castro (PL-RJ) na investigação que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
Castro aportou quase R$ 1 bilhão em títulos podres do banco Master em outubro deste ano, em meio às negociatas para compra do Banco de Brasília (BRB), comandado pelo grupo político do aliado Ibaneis Rocha (MDB).
A RioPrevidência, em nota no dia 18 de outubro, confirmou que “o valor efetivamente investido [no Master] foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master S.A., e a operação segue regular, adimplente e plenamente enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais”.
“Vou protocolar petição à PF para que o objeto da investigação seja ampliado às irregularidades vinculadas aos planos de previdência, em especial, as operações da Rioprevidência, cujos aportes ultrapassaram R$ 1 bilhão na instituição citada, mesmo após a proibição do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou Lindbergh.
“Virar pó”
Segundo o TCE, o valor aportado no Master representa 8% do patrimônio do fundo previdenciário do Rio de Janeiro. A denúncia foi feita pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSD-RJ).
“O dinheiro do Rioprevidência pode agora virar pó. Como colocam o dinheiro bom de aposentados e pesionistas em um banco de terceira linha, conforme já era classificado pelo Banco Central, e que atuava praticamente em esquema de pirâmide, oferecendo retornos extraordinários e insustentáveis?”, afirmou o parlamentar à Folha de S.Paulo.
Prisão
O banqueiro Daniel Vorcaro, que é conhecido como “o lobo da Faria Lima”, foi preso pela Polícia Federal (PF) na noite desta segunda-feira (17) no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jatinho rumo a Dubai, nos Emirados Árabes. A prisão foi efetuado a partir do sistema de alerta da Polícia Federal, segundo o diretor da instituição Andrei Passos, que monitora os passos de investigados que possam fugir do país.
Vorcaro é dono do Banco Master, que tentou uma manobra com o governador do Distrito Federal, o bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB), para que a instituição, que tem diversos problemas, fosse incorporada ao estatal Banco de Brasília (BRB).
A prisão acontece no mesmo dia em que a Fictor Holding Financeira, uma instituição também problemática, anunciar a compra do Master. Também nesta terça-feira, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master o que, em tese, barraria as negociações com o grupo Fictor.
Agentes que atuam na operação Compliance Zero ainda cumpriram outros quatro mandados de prisão de envolvidos em um suposto esquema criminoso de emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional.
“As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros”, diz a PF em nota.
Os títulos podres teriam sido comprados por diversas instituições, entre elas a RioPrevidência, que atua sob o guarda-chuva do governador Cláudio Castro.
Liquidação judicial
A liquidação do Master pelo Banco Central, assinada por Gabriel Galípolo, acontece justamente em meio às investigações de que o banco emitia papéis garantidos pelo FGC e pagava taxas muito acima do mercado.
As negociatas fizeram com que o BC vetasse a compra do Master pelo Banco de Brasília.
A liquidação extrajudicial é um regime de resolução à disposição do BC para lidar com problemas graves em instituições financeiras, a fim de manter a estabilidade do sistema.
A medida interrompe o funcionamento da instituição, retirando-a do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Isso significa que o banco fecha, deixa de funcionar.
Esse regime é adotado quando a situação de insolvência – ou seja, de endividamento – é irrecuperável ou quando forem cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade.






