
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar repercussão internacional ao associar o interesse norte-americano sobre a Groenlândia ao fato de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. As declarações ocorrem em meio ao agravamento das relações diplomáticas entre Washington e países da Europa, o que reacende o temor de uma nova crise comercial.
Em entrevistas recentes, Trump evitou confirmar se pretende utilizar força militar para assumir o controle do território, mas reforçou que poderá impor tarifas econômicas contra nações europeias caso não haja avanço em negociações. O discurso elevou o nível de preocupação entre aliados históricos dos Estados Unidos.
A Groenlândia é um território autônomo ligado à Dinamarca, país integrante da Otan. Trump tem afirmado que o governo dinamarquês não teria capacidade de proteger a ilha de possíveis influências da Rússia e da China, argumento usado pelo presidente para defender que os Estados Unidos assumam o controle da região, considerada estratégica.
A pressão norte-americana provocou reação da União Europeia, que passou a discutir medidas de resposta. O impasse também afeta a Otan, organização que já enfrenta desafios internos relacionados à guerra na Ucrânia e a divergências sobre gastos militares.
O governo da Noruega divulgou mensagens enviadas por Trump ao primeiro-ministro Jonas Gahr Stoere. No conteúdo, o presidente afirmou que após não ter sido escolhido para receber o Nobel da Paz de 2025 deixou de pensar apenas na manutenção da paz, afirmando que agora prioriza decisões que considera adequadas aos interesses dos Estados Unidos.
As mensagens foram enviadas após líderes da Noruega e da Finlândia solicitarem publicamente a redução das tensões. O episódio ganhou ainda mais repercussão após o Comitê Norueguês do Nobel conceder o prêmio à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, decisão que desagradou o presidente norte-americano.
Com o agravamento do discurso, Trump passou a defender de forma mais enfática o controle total da Groenlândia, afirmando que o território é essencial para a segurança global. As declarações provocaram instabilidade nos mercados financeiros europeus e preocupação no setor industrial, com investidores temendo um cenário semelhante ao da guerra comercial registrada em 2025.
O presidente norte-americano anunciou a intenção de aplicar tarifas progressivas a partir de 1º de fevereiro contra países como Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia, Reino Unido e Noruega enquanto não houver autorização para a compra da Groenlândia, região habitada por cerca de 57 mil pessoas.
Autoridades europeias reagiram publicamente. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca afirmou que o futuro do território não pode ser decidido por pressões externas e destacou que não se negocia pessoas. O primeiro-ministro da Groenlândia também declarou que a população local tem o direito de decidir seu próprio destino e que o território permanecerá firme no diálogo e no respeito ao direito internacional.
Enquanto isso, o Exército da Dinamarca informou que realizará exercícios militares na região oeste da ilha, ação que ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas. Líderes europeus pretendem discutir o tema em encontros internacionais nos próximos dias, buscando conter a escalada do conflito político e econômico.
O governo alemão declarou não ter interesse em uma disputa comercial, mas afirmou que poderá reagir caso considere as medidas norte-americanas irracionais. Já o secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que uma retaliação europeia seria imprudente, reforçando que a Groenlândia é tratada pelo governo norte-americano como um ponto estratégico.






