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Tribunal do crime e células de facção: polícia detalha métodos das organizações criminosas

Foto: Ascom SSP-PI

O delegado Charles Pessoa, do Draco/PI, responsável por operações de combate ao crime organizado, explica alguns conceitos utilizados pelas facções criminosas e como a polícia atua para enfrentá-las. Um dos termos mais conhecidos é o “tribunal do crime”, que consiste em julgamentos internos realizados pela própria facção contra membros que descumprem regras internas.

“Cada facção possui uma espécie de legislação própria, com normas que devem ser seguidas rigorosamente. Quando alguém quebra essas regras, sofre punições aplicadas pelos próprios criminosos, que podem incluir até execuções”, afirma o delegado. Segundo ele, essas práticas reforçam a ideia de que os grupos se colocam como um “Estado paralelo”, aplicando sanções severas de forma autônoma.

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Outro conceito relevante é o de “célula de facção criminosa”, que se refere a divisões internas dentro da hierarquia do grupo. “É como se fossem departamentos dentro da estrutura piramidal da facção, cada um com funções específicas”, explica Charles Pessoa.

Atualmente, duas facções possuem atuação nacional e internacional: o Comando Vermelho, surgido no final da década de 1970 no Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), fundado em 1993 em São Paulo. Ambas expandiram suas operações a partir de 1998, e hoje têm ramificações em todas as unidades da federação, incluindo atividades fora do país.

O delegado destaca que o Piauí tem adotado uma estratégia inovadora no enfrentamento a essas organizações, estruturada em três eixos principais. O primeiro é a repressão qualificada, que envolve identificar membros das células criminosas tanto na região da Grande Teresina quanto no interior do estado. “Nosso objetivo é desestruturar toda a facção, não apenas os indivíduos. Realizamos operações robustas com diversas representações judiciais, incluindo mandados de busca e prisão, além de medidas para garantir a manutenção do encarceramento desses criminosos”, detalha.

O segundo eixo é a prevenção. Charles Pessoa observa que as facções não são motivadas apenas pelo lucro, mas também pelo sentimento de pertencimento e poder que promovem entre seus membros. “As redes sociais têm sido usadas para disseminar a cultura do crime, influenciando especialmente os jovens. Nosso papel é mostrar que o crime não compensa e que as consequências são graves”, conclui.

Além disso, a polícia tem investido em ações educativas, como palestras em escolas da rede pública, buscando alertar crianças e adolescentes sobre os riscos de se envolver com essas organizações.

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