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Tratamento oncológico é suspenso no Hospital São Marcos por falta de insumos, denuncia usuária

Hospital São Marcos – interrupção dos tratamentos decorre do não repasse de parcelas contratualmente acordadas com FMS

A usuária Luciana, filha do paciente Antônio, denunciou nesta semana a suspensão do tratamento oncológico de seu pai no Hospital São Marcos, em Teresina. Antônio está em tratamento contra um glioblastoma selvagem, e desde agosto do ano passado realiza sessões de radioterapia e quimioterapia na unidade hospitalar.

Segundo Luciana, ao comparecerem ao hospital para mais uma consulta com o quimioterapeuta, foram surpreendidos com a informação de que o tratamento seria interrompido por falta de insumos essenciais. Em vez da liberação da medicação, a família recebeu um informativo relatando o problema.

De acordo com o Hospital São Marcos, a interrupção dos tratamentos decorre do não repasse de parcelas contratualmente acordadas com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), responsável pelo financiamento de parte dos atendimentos oncológicos.

Antônio está em tratamento contra um glioblastoma selvagem, e desde agosto do ano passado

“É inaceitável que vidas fiquem em risco por conta de atrasos administrativos. Estamos falando de tratamentos que não podem esperar! Meu pai precisa continuar a quimioterapia para evitar a progressão da doença”, desabafa Luciana.

Ela também relatou que, até o momento, não houve retorno sobre quando a medicação voltará a ser disponibilizada, e faz um apelo urgente para que a situação seja resolvida.

A denúncia evidencia uma crise preocupante na rede de atendimento oncológico da capital, afetando diretamente pacientes em estado delicado de saúde.

O QUE DIZ O Hospital São Marcos

Hospital São Marcos alerta: mais de mil pacientes oncológicos têm tratamento atrasado por falta de repasses da Prefeitura

O Hospital São Marcos, referência no tratamento de câncer no Piauí, divulgou um comunicado oficial nesta quarta-feira (24) alertando para a interrupção parcial dos atendimentos oncológicos por falta de recursos. A instituição afirma estar em colapso financeiro devido ao atraso de 19 meses nos repasses contratuais da Prefeitura de Teresina.

Segundo o hospital, mais de mil pacientes com câncer estão com o tratamento atrasado, incluindo sessões de quimioterapia e cirurgias de alta complexidade. A situação, segundo a direção da unidade, representa risco direto à vida dos usuários do SUS.

De janeiro até agora, o hospital realizou mais de 18 mil consultas em oncologia, 11 mil sessões de quimioterapia, 850 cirurgias de alta complexidade, 300 internações pediátricas e 400 internações de adultos com câncer.

Apesar da alta demanda, o hospital alega ter recebido apenas R$ 19 milhões líquidos da Prefeitura — valores que, segundo a nota, são repasses do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde, apenas intermediados pela Fundação Municipal de Saúde (FMS).

O diretor técnico do hospital, Dr. Marcelo Martins, afirmou em entrevista à imprensa que o objetivo da nota não é gerar conflito político, mas buscar soluções para um problema de saúde pública.

“Estamos abertos ao diálogo. O que pedimos é uma resposta urgente. Não podemos deixar que pacientes com câncer paguem pela ineficiência administrativa”, declarou.

O hospital também reconheceu as dificuldades herdadas pela atual gestão, mas reforçou que o momento exige “uma solução imediata, responsável e pactuada”.

O QUE DIZ A FMS

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que o Hospital São Marcos enfrenta dificuldades financeiras de origem interna, ainda em apuração. A FMS estuda a realização de auditoria financeira para investigar a situação.

Em 2024, auditoria interna identificou que o hospital contraiu dívida de R$ 31 milhões com a FMS, relativa a empréstimos consignados descontados de forma irregular, reduzindo os repasses do teto MAC.

Apesar disso, o hospital recebeu da FMS mais de R$ 32 milhões em 2025, somando os meses de janeiro a abril. Além desses valores, o hospital também recebe renúncia fiscal mensal de R$ 700 mil do município e R$ 2,5 milhões do Governo Federal.

O hospital ainda presta serviços particulares e a planos de saúde, obtendo lucro adicional, e recebe complementação estadual de R$ 900 mil mensais desde 2023.

A FMS deixou de repassar R$ 650 mil mensais por conta da dívida e já acionou a Justiça na gestão anterior. A Prefeitura e a FMS seguem buscando apoio federal para resolver a situação.

A FMS reafirma seu compromisso com a transparência e a garantia da assistência à população.

Por Renato Bezerra

 

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