Transporte Eficiente expõe crise no sistema de ônibus de Teresina

O sistema de transporte público de Teresina voltou ao centro das críticas após denúncias envolvendo o programa Transporte Eficiente, que deveria garantir regularidade e qualidade no serviço, mas hoje é alvo de questionamentos sobre custos, operação e legalidade.

De acordo com as informações apresentadas, o modelo atual opera com falhas graves. Há estimativa de gasto anual em torno de R$ 10 milhões para manter apenas cinco veículos em circulação, cenário considerado incompatível com a demanda da capital e que acende alerta sobre a gestão dos recursos públicos.

Outro ponto que chama atenção é a exposição de veículos inoperantes, tratada como uma “cortina de fumaça”. A avaliação é de que o problema não está apenas na frota parada, mas na ausência de controle efetivo e na dificuldade do município em estruturar um sistema funcional e regular.

O impasse também envolve decisões judiciais. Uma Ação Civil Pública que tramitou por cerca de dez anos resultou em sentença favorável à reorganização do transporte, mas, segundo os relatos, ainda não foi cumprida integralmente. O Ministério Público acompanha o caso, e a 34ª Promotoria de Justiça investiga possível improbidade administrativa na contratação de empresas.

No centro da crise, a empresa Santa Cruz, por meio do diretor administrativo Joselito Campero, afirma estar sendo prejudicada pela atual condução do sistema. Segundo ele, a gestão municipal tem “sufocado” a operação. A empresa, que atua há 15 anos no setor, relata que passou a ser alvo de críticas pouco tempo após a mudança administrativa.

Entre os principais problemas apontados está o atraso de cinco meses nos pagamentos pelos serviços prestados, o que, segundo a empresa, compromete diretamente a qualidade do atendimento à população. Campero também rebate acusações sobre veículos antigos, afirmando que parte da frota foi herdada de gestões anteriores, já ultrapassou a vida útil e foi oficialmente devolvida à Strans, sem que o órgão tenha feito o recolhimento.

A crise se intensifica com a decisão da Santa Cruz de devolver a operação aos consórcios vencedores da licitação, alegando inviabilidade de continuidade diante das condições atuais.

Outro ponto sensível é a contratação de uma nova empresa para operar o sistema sem participação no processo licitatório original, o que levanta questionamentos sobre a legalidade da medida e a transparência da gestão.

A crise do transporte público em Teresina deixa de ser apenas operacional e assume contornos institucionais. No meio do embate entre gestão, empresas e órgãos de controle, o usuário continua sendo o principal afetado – dependente de um serviço que segue distante do que promete no nome: eficiência.

RECENTES

MAIS NOTÍCIAS