
A rotina na Penitenciária Irmão Guido, em Teresina, vai além das ações de vigilância e segurança típicas de um regime fechado. Sob a gestão da gerente Rebeca Filha, a unidade adota uma abordagem que alia disciplina e ressocialização, oferecendo aos internos oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional durante o cumprimento da pena.
Segundo Rebeca, a proposta de trabalho busca equilibrar a segurança prisional com políticas efetivas de reintegração.
“A unidade é legalmente de regime fechado, então precisamos manter atenção com segurança, disciplina e ordem. Mas também oferecemos diversas ferramentas de ressocialização, entre elas o trabalho, que tem um papel fundamental nesse processo”, destacou a gerente.
Entre as atividades desenvolvidas na penitenciária estão horta, agrofloresta, costura, marcenaria, metalurgia e panificação, além de programas educacionais que abrangem desde a alfabetização até cursos profissionalizantes. A unidade também investe em iniciativas culturais, como a Banda Resgate, formada por internos que encontraram na música uma forma de expressão e convivência coletiva.
Atualmente, cerca de 50% dos 720 internos participam de atividades laborais ou educacionais. Para Rebeca, os resultados vão além da redução da pena.
“Isso é positivo para a remição, para a organização da unidade e, principalmente, para a ressocialização. Nosso papel não é apenas custodiar, mas entregar instrumentos que permitam ao interno se reintegrar positivamente à sociedade”, afirmou.
A gestora, que atua como policial penal, também destaca o desafio e a satisfação de estar à frente de uma unidade masculina.
“É uma atividade desafiadora, mas gratificante. A função do policial penal não se resume a receber o detento e colocá-lo na cela. Buscamos potencializar tudo o que podemos oferecer. A marcenaria, a panificação e a costura são exemplos concretos dessa transformação”, pontuou.
Entre os beneficiados pelos projetos está Daniel da Costa, interno há quatro meses, selecionado como monitor da padaria devido à sua qualificação profissional. Para ele, a experiência representa uma oportunidade de aprendizado e reconstrução.
“Tenho a chance de ensinar e ajudar outros internos a aprender um ofício. Eles já vão sair daqui com uma profissão, com mais chances de seguir a vida lá fora”, relatou.
“Quando sair, quero abrir meu próprio negócio e ficar mais perto da minha família. Aqui aprendi muitas coisas que talvez não aprendesse lá fora”, completou.
De acordo com a direção, as ações têm refletido em melhoria na convivência interna, redução de conflitos e fortalecimento da autoestima dos custodiados. A experiência reforça a importância das políticas de ressocialização como instrumentos de segurança pública e cidadania.







