
A personagem virtual Tilly Norwood, desenvolvida por inteligência artificial (IA), virou alvo de críticas na indústria cinematográfica de Hollywood. Na última quarta-feira (1º), o Sindicato Norte-Americano de Atores (SAG-AFTRA) emitiu um comunicado expressando preocupação com a substituição de profissionais humanos por “artistas sintéticos”.
O sindicato afirmou que “Tilly Norwood não é uma atriz de verdade, mas uma criação de computador treinada com base no trabalho de inúmeros artistas sem sua autorização ou pagamento. Ela não possui experiências ou emoções humanas para se inspirar”.
A controvérsia surgiu após a atriz e produtora holandesa Eline Van der Velden, fundadora do estúdio de IA Particle6, apresentar Tilly ao mercado audiovisual. Em um evento realizado em Zurique, Van der Velden afirmou que algumas agências de talentos já demonstravam interesse na personagem digital e que uma possível contratação poderia ser anunciada em breve.
O SAG-AFTRA destacou que a utilização de artistas virtuais sem o consentimento dos profissionais humanos envolvidos na produção representa uma ameaça à carreira dos atores e à valorização da criatividade humana. “O uso de atuações reproduzidas por IA para substituir artistas reais coloca em risco o sustento dos atores e desvaloriza a arte produzida pelo ser humano. Acreditamos que a criatividade deve continuar sendo centrada nas pessoas”, declarou o sindicato.
Entre as reações individuais, a atriz Emily Blunt descreveu Tilly como “assustadora”, enquanto Whoopi Goldberg comentou que o público consegue distinguir facilmente entre seres humanos e criações digitais. A atriz e diretora Natasha Lyonne classificou a iniciativa como “profundamente equivocada” e sugeriu que qualquer agência envolvida com a personagem deveria ser boicotada.
Van der Velden respondeu às críticas em suas redes sociais, afirmando que Tilly Norwood não se destina a substituir atores humanos, mas sim a funcionar como uma obra de arte e ferramenta criativa. A mensagem foi compartilhada no perfil oficial de Tilly no Instagram, que já acumula mais de 44,9 mil seguidores.
“Para aqueles que expressaram indignação com a criação de Tilly Norwood, ela não substitui seres humanos, mas serve como uma forma de expressão artística. Como muitas outras formas de arte, ela provoca debates e demonstra o potencial da criatividade. Encaro a IA não como um substituto, mas como um novo instrumento, um novo pincel”, escreveu Van der Velden.






