
A situação do Rio Poti, em Teresina, tem gerado preocupação entre moradores, lideranças comunitárias e representantes políticos. O acúmulo de lixo, a presença intensa de aguapés e a obstrução do leito têm comprometido o fluxo da água e agravado a degradação ambiental em diversos trechos do rio.
A ex-deputada estadual e presidente do Partido Verde no Piauí, Teresa Britto, esteve no local, na região próxima à ponte Leonel Brizola, e classificou o cenário como crítico. Segundo ela, o nível de poluição atingiu um patamar preocupante.
“É muita tristeza ver o leito do rio tomado por aguapés e lixo. Antes, o problema era basicamente a vegetação. Agora, além disso, temos uma quantidade enorme de resíduos sólidos, o que torna a situação ainda mais grave”, afirmou.
De acordo com Teresa Britto, a presença de aguapés indica excesso de nutrientes na água, geralmente associado ao despejo de esgoto, mesmo após tratamento. Esse desequilíbrio contribui para a degradação do rio e afeta diretamente a vida aquática.
A presidente do Partido Verde também destacou a necessidade de ações imediatas por parte do poder público. “Vamos acionar o Ministério Público e os órgãos de fiscalização. É urgente retirar o lixo e os aguapés. O rio está pedindo socorro”, disse.

Moradores relatam impactos e cobram soluções
Moradores da região também denunciam o avanço da poluição. O aposentado José Raimundo, que vive na Vila Conquista e passa diariamente pelo local, relata indignação com o cenário.
Segundo ele, o rio apresenta grande quantidade de lixo acumulado, o que compromete a qualidade da água e a vida aquática. “Tem muito lixo. Isso contamina a água, mata os peixes e impede qualquer tipo de pesca”, afirmou.
Já o presidente da associação de moradores do bairro Santa Sofia, José Lopes, alerta para a obstrução do leito do rio, especialmente na região próxima ao bairro Mocambinho.
De acordo com ele, o acúmulo de resíduos como madeira, barro e lixo tem impedido o fluxo normal da água. “A água não está conseguindo descer. Nem a chuva está levando mais. É preciso fazer a desobstrução com urgência”, destacou.
Ele também aponta que o problema foi agravado após intervenções na área. “Quando fizeram a ponte, não houve limpeza adequada. O material ficou e foi se acumulando com o tempo. Hoje, o rio está praticamente bloqueado”, disse.

Problema recorrente e risco ambiental
Apesar de ser um fenômeno que se intensifica em determinados períodos do ano, a situação atual chama atenção pelo volume de lixo acumulado, considerado mais grave do que em anos anteriores.
Na avaliação da presidente do Partido Verde, o problema afeta diretamente comunidades que dependem do rio. “Os pescadores não têm condições de consumir o peixe retirado daqui. É um problema ambiental, mas também social”, pontuou.
José Lopes também defende uma atuação conjunta do poder público para enfrentar o problema. “É responsabilidade da Prefeitura, do Estado e da União. Se não houver ação integrada, o risco é que o rio continue se degradando”, afirmou.
A expectativa é que as denúncias resultem em ações de limpeza, desobstrução e fiscalização, para evitar que o cenário de degradação se agrave ainda mais.