PUBLICIDADE

Tecnologia capta neblina e gera água potável em áreas áridas

FreePik
Tecnologia capta neblina e gera água potável em áreas áridas

Em meio a períodos de neve e chuvas intensas em algumas regiões do planeta, pode parecer contraditório falar em falta de recursos hídricos. No entanto, dados das Nações Unidas mostram que mais de dois bilhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável segura enquanto cerca de metade da população mundial enfrenta escassez severa por vários meses ao longo do ano. As informações são do Food And Wine.

O cenário tende a se agravar. Segundo a ONU, nas últimas duas décadas, armazenamento hídrico terrestre, que inclui umidade do solo, neve e gelo — diminuiu cerca de um centímetro por ano. A expectativa é de que esses números aumentem, impulsionados pelas mudanças climáticas e pelo crescimento populacional.

Diante desse desafio global, pesquisadores apontam uma solução simples e já presente na natureza: a captação de névoa. Em 2025, cientistas do Chile divulgaram os resultados de um estudo realizado nos arredores de Alto Hospicio, na região do deserto do Atacama, uma das áreas mais secas do mundo, com índice anual de chuvas inferior a cinco milímetros

O método testado é considerado de baixa complexidade. Ele utiliza estruturas formadas por telas suspensas entre postes, capazes de reter pequenas gotículas presentes no ar. À medida que essas partículas se acumulam, escorrem para calhas conectadas a reservatórios. Todo o processo ocorre sem consumo adicional de energia.

Imagem gerada por IA
Colhendo água na névoa

Durante um ano de monitoramento em campo, a equipe conseguiu captar até 10 litros por metro quadrado diariamente. De acordo com as estimativas, esse volume seria suficiente para complementar o abastecimento de uma comunidade de aproximadamente 10 mil habitantes, atendendo necessidades como irrigação, agricultura e consumo humano.

Para a pesquisadora Virginia Carter Gamberini, professora assistente da Universidad Mayor e uma das autoras do estudo publicado na revista Frontiers in Environmental Science, os resultados representam uma mudança de perspectiva.

Segundo ela, a técnica pode atuar como reforço ao fornecimento hídrico em regiões secas, especialmente onde os efeitos do clima extremo já são sentidos.

O estudo, porém, também aponta limitações. Os melhores resultados foram registrados em áreas mais elevadas, localizadas fora do perímetro urbano. Além disso, os pesquisadores calcularam que seriam necessários cerca de 17 mil metros quadrados de telas para suprir toda a demanda semanal da região, considerando uma média diária menor de captação.

Outro fator decisivo é a necessidade de condições ambientais específicas, como densidade adequada de névoa e padrões favoráveis de vento. Ainda assim, os cientistas veem o experimento como um passo importante.

A expectativa é que a iniciativa incentive governos a incluir essa fonte renovável em políticas públicas, ampliando a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas e da urbanização acelerada.

IG

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!

RECENTES

MAIS NOTÍCIAS