
Servidores da extinta AGESPISA e representantes do sindicato dos urbanitários realizaram, na manhã desta quarta-feira (7), uma manifestação em frente ao Palácio de Karnak, sede do Governo do Estado do Piauí. O protesto denuncia o fechamento repentino da empresa, ocorrido no dia 22 de dezembro, além de atrasos salariais que se arrastam desde o segundo semestre do ano passado.
Segundo o presidente do sindicato dos urbanitários, Francisco Marques, os trabalhadores foram surpreendidos com o fechamento dos portões da AGESPISA, sem aviso prévio e sem qualquer orientação formal por parte do governo ou da direção da empresa.
“Os servidores foram impedidos de retornar às suas salas e mesas de trabalho, onde muitos deixaram pertences pessoais importantes, como documentos, medicamentos e objetos de uso diário. Foi uma situação desumana”, afirmou.
Salários atrasados desde julho
Além do fechamento da empresa, o sindicato denuncia atrasos salariais recorrentes desde julho de 2025. De acordo com Francisco Marques, parte dos pagamentos só foi realizada após acionamento da Justiça, e mesmo assim de forma incompleta.
“Em novembro, o governo pagou apenas uma parte dos servidores. A maioria continua sem receber os salários de novembro, dezembro e a primeira quinzena de dezembro, mesmo com a folha já preparada e com vínculo empregatício vigente até fevereiro”, explicou.
Atualmente, 236 servidores estão nessa situação, sem salário e sem definição sobre o futuro funcional.
Servidores fora do PDV relatam abandono
O presidente do sindicato esclareceu ainda que os trabalhadores afetados não aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV). Segundo ele, muitos servidores foram pressionados a aceitar o plano, enquanto outros decidiram não aderir por uma questão de dignidade.
“Esses servidores foram simplesmente abandonados. Não há informações sobre realocação, não há diálogo e não há respeito ao lado humano de quem dedicou anos de trabalho ao serviço público”, declarou.
Falta de diálogo e postura autoritária
Francisco Marques criticou a postura do governo estadual, afirmando que, apesar de uma sinalização inicial de abertura ao diálogo, houve mudança de comportamento.
“O sindicato tentou conversar, mas o governo mudou de ideia e passou a agir de forma autoritária, sem ouvir os trabalhadores. Isso fere os princípios democráticos”, disse.
Durante a manifestação, uma oficial da Polícia Militar chegou a se oferecer para intermediar uma conversa entre os sindicalistas e representantes do governo. O sindicato reforçou que permanece aberto ao diálogo e espera uma resposta oficial.
Indignação e incerteza
A manifestação evidencia o clima de indignação e insegurança vivido pelos servidores, que, além de salários atrasados, enfrentam a incerteza quanto à lotação, às condições de trabalho e à própria subsistência.
Até o fechamento desta matéria, o Governo do Estado não havia se pronunciado oficialmente sobre as denúncias apresentadas pelo sindicato dos urbanitários.







