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O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko Leal Paraíba, afirmou nesta segunda-feira (23) que a condução do caso de estupro registrado na Delegacia Geral tem como prioridade a preservação da vítima, especialmente no que diz respeito à sua imagem e à sua recuperação.
Durante coletiva à imprensa, o delegado destacou que, em crimes contra a dignidade sexual, a atuação da polícia vai além da investigação e da responsabilização do acusado. Segundo ele, há um compromisso institucional de evitar a exposição da vítima, para que ela possa retomar sua vida sem estigmas.
A declaração ocorre em meio a questionamentos sobre a forma como o caso foi tratado publicamente. Houve relatos de que familiares teriam sido orientados a não conceder entrevistas, o que levantou suspeitas sobre possível tentativa de minimizar a repercussão. A Polícia Civil nega qualquer tipo de ocultação.
Luccy Keiko afirmou que não é prática da instituição convocar a imprensa para divulgar casos dessa natureza. “Nosso papel não é anunciar que alguém foi vítima de estupro. É investigar, prender o responsável e proteger quem sofreu a violência”, pontuou.
O delegado também informou que a vítima segue internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ainda em estado que exige cuidados, apresentando confusão mental, apesar de já ter sido extubada. A polícia mantém contato diário com a família e com a advogada que a representa.
Sobre o depoimento do suspeito, o delegado-geral revelou que ele admitiu o ato sexual, mas tentou atribuir falsamente a responsabilidade à vítima. Segundo a autoridade, o homem apresentou contradições em seus relatos e não prestou socorro imediato, comportamento que, na avaliação da investigação, reforça sua responsabilidade pelo crime.
A apuração segue em andamento, com a análise de provas técnicas. Os celulares da vítima e do acusado foram apreendidos e passam por perícia, com autorização judicial, para verificar possíveis elementos que contribuam para o esclarecimento dos fatos.
Outro ponto abordado foi a possível existência de relação prévia entre o suspeito e a vítima. Segundo o delegado, essa informação ainda está sendo verificada e, mesmo que confirmada, não altera a caracterização do crime.
A Polícia Civil reforçou que detalhes da investigação não serão divulgados neste momento, justamente para evitar exposição indevida e preservar a integridade da vítima.
A coletiva, segundo a instituição, teve como objetivo prestar esclarecimentos diante da repercussão do caso, reafirmando o compromisso com a transparência, sem abrir mão da responsabilidade no tratamento de crimes dessa natureza.