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Sem água, moradores e empresários dependem de carro-pipa em Barra Grande

A crise hídrica que atinge Barra Grande e outros povoados do município de Cajueiro da Praia tem provocado um cenário de insegurança e indignação entre moradores, empresários e donos de pousadas. A região, um dos principais destinos turísticos do Piauí e referência internacional para o kitesurf, vive desde setembro uma situação extrema: poços secando, falta de água nas residências e dependência crescente de carros-pipa.

Morador de Barra Grande, Gabriel Nolêto relata que a situação tem afetado a rotina da população. Segundo ele, o problema é antigo, mas se agravou de forma acelerada nos últimos meses. “Devido ao aumento populacional, de empreendimentos e, consequentemente, de poços perfurados, a crise hídrica está só se intensificando. Desde setembro os poços estão secando.

O poço da casa da minha família está seco, assim como os dos meus vizinhos. Quase todos os poços do bairro Borogodó estão secos, e as pessoas ficam dependendo de ter que buscar água em outro lugar. Quem não tem cisterna não sabe o que fazer da vida e fica numa situação insalubre, tendo que encher galões de água para tomar banho ou fazer o básico da vida. Muitas pessoas não aguentam essa situação e vão embora de Barra Grande”, enfatiza.

Com os poços secos, a saída tem sido recorrer a carros-pipa, uma alternativa cara e que nem todos conseguem pagar. “A média de preço de um carro-pipa é R$ 500, que corresponde a nove caixas d’água. Se a pessoa não tem a cisterna, como guardar essa água? E quem tem a cisterna, será que tem condições de pagar um carro-pipa? É um valor exorbitante”, questiona. 

Com os poços secos, a saída tem sido recorrer a carros-pipa, uma alternativa cara e que nem todos conseguem pagar. “A média de preço de um carro-pipa é R$ 500

Ainda de acordo com Gabriel Nolêto, o impacto vai além das residências. Pousadas, hotéis e restaurantes também dependem de abastecimento próprio. “As pousadas, em sua maioria, dependem de carro-pipa para sobreviverem e manterem seus negócios funcionando. Temos um turismo internacional, por conta do kitesurf, mas a cidade não tem canalização e, onde tem, a água não chega de jeito nenhum porque a adutora nunca foi finalizada”, relata. 

Ele também critica a falta de investimentos estruturais ao longo dos anos e explica que a promessa da construção de uma adutora, que traria a água para essa localidade, é antiga e já foi feita por diversos gestores, porém nunca foi concretizada. 

Eduardo Gomes mora em Barra Grande há quase 12 anos, quando sua família decidiu abrir seu próprio negócio. O problema com a falta de abastecimento é antigo, mas, segundo o empreendedor, como o povoador era pouco conhecido e movimentado, não havia tanto cobrança da população por mais investimentos. 

“Mas o tempo foi passando e as coisas não mudarem muito. Continuamos com o problema da falta de água, mas sempre‘dando um jeito’, como o poço, que tem nos salvado, mas é algo que depende muito da natureza, então, se não chove o suficiente, temos uma água mais salgada e com qualidade ruim para utilização e banho. Não usamos essa água para cozimento, então precisamos comprar água de galão ou caminhão pipa e isso aumenta muito nossos custos”, explica. 

Segundo o empresário, o desabastecimento do povoado compromete não somente o funcionamento dos empreendimentos, como acaba afastando os turistas, uma vez que a falta de água dificulta a realização de atividades básicas, como o banho dos visitantes após os passeios. 

“Utilizamos muito a água de poço, mas neste ano, em especial nesses últimos três meses, a água piorou muito e está bastante ruim, e tem lugares que nem água tem mais. Há relatos de empresários gastando cerca de R$ 4.500 por mês somente com água”, complementa Eduardo Gomes.

Contraponto

Por meio de nota, a Águas do Piauí se manifestou sobre a reclamação realizadas por moradores e empresários residentes em Barra Grande. A concessionária informou que tem atuado para resolver a problemática e melhorar o abastecimento da região.

Confira abaixo a nota da Águas do Piauí: 

Desde que assumiu os serviços de saneamento em Cajueiro da Praia, no dia 31 de maio, a Águas do Piauí vem atuando para melhorar o sistema de distribuição de água, que apresenta limitações históricas amplamente conhecidas pela população. 

A empresa está executando uma série de melhorias, incluindo a ativação de um reservatório móvel com capacidade de 70 mil litros, substituição de registros que apresentaram falhas e a realização de estudos e avaliações para a implementação de soluções estruturais e de longo prazo na região.

A concessionária permanece à disposição da população por meio do número 0800 223 2000 (ligações e WhatsApp, 24 horas), do aplicativo Águas App e do site www.aguasdopiaui.com.br. 

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