
O debate sobre saúde mental no ambiente de trabalho ganhou força nos últimos anos, impulsionado pelo aumento de diagnósticos de depressão, ansiedade e síndrome de burnout entre profissionais de diferentes áreas. A questão que se impõe é se os problemas psicológicos estão, de fato, mais frequentes ou se apenas passaram a ser melhor identificados.
Em análise sobre o tema, o psiquiatra Wagner Gattaz destaca que o trabalho, por si só, não é a causa direta da depressão. Segundo ele, fatores como sobrecarga, pressão constante, insegurança profissional e ambientes pouco acolhedores podem atuar como gatilhos ou agravantes para quadros emocionais já existentes.
O especialista explica que, durante muito tempo, o sofrimento psíquico se manifestava de forma indireta, por meio de sintomas físicos como dores, fadiga e problemas gastrointestinais. Com o avanço da informação e da conscientização, essas queixas passaram a ser reconhecidas como sinais de transtornos emocionais, o que contribui para o aumento das estatísticas.
Gattaz ressalta ainda que o crescimento dos números não significa necessariamente uma piora generalizada da saúde mental, mas reflete uma maior capacidade de diagnóstico e uma redução do estigma em torno do tema. Esse cenário tem levado empresas a repensarem práticas de gestão e a adotarem políticas voltadas ao bem-estar dos trabalhadores.
Para especialistas, tratar a saúde mental como parte essencial da saúde do trabalhador deixou de ser uma opção e se tornou uma necessidade. A atenção ao tema é vista como fundamental não apenas para a qualidade de vida dos profissionais, mas também para a produtividade e a sustentabilidade das organizações.






