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Saiba como tratar dor e sangramento após a radioterapia

Inflamações podem surgir após a radioterapia; entenda como agir | SBT RS

A retite actínica é uma inflamação que atinge o reto e pode surgir como efeito tardio da radioterapia utilizada no tratamento de diferentes tipos de câncer localizados na região da pelve, como próstata, reto, colo do útero, bexiga e útero. Embora seja uma complicação conhecida há bastante tempo, ela tem sido observada com mais frequência nos últimos anos, já que os avanços no tratamento do câncer aumentaram a sobrevida dos pacientes e, com isso, os efeitos tardios da radiação acabam aparecendo com maior incidência.

Apesar de geralmente não colocar a vida do paciente em risco imediato, a condição pode causar sintomas incômodos e persistentes, afetando de forma importante o bem estar físico e emocional. Sangramentos, dor, desconforto para evacuar e alterações no funcionamento do intestino podem comprometer a rotina e a qualidade de vida, tornando fundamental o reconhecimento precoce do problema e a escolha do tratamento mais adequado para cada caso.

A origem da retite actínica está na ação da radiação sobre os tecidos saudáveis ao redor do tumor. Embora a radioterapia tenha como objetivo destruir as células cancerígenas, parte da radiação também atinge estruturas vizinhas. No reto, as células da mucosa se renovam rapidamente e, por isso, são mais sensíveis aos danos causados pela radiação. Inicialmente, pode ocorrer apenas uma inflamação superficial. Com o passar do tempo, em alguns pacientes, os vasos sanguíneos da região sofrem alterações, o tecido perde elasticidade e surgem áreas mais frágeis, com maior propensão a sangramentos e feridas profundas.

A doença pode se manifestar de duas formas principais. Na fase aguda, os sintomas surgem durante ou logo após o término da radioterapia, geralmente nos primeiros meses. Nessa fase, são comuns aumento da frequência das evacuações, presença de muco nas fezes, sensação de evacuação incompleta, dor leve no abdome inferior e pequenos sangramentos. Esses sintomas tendem a diminuir gradualmente com o tempo. Já a forma crônica pode aparecer meses ou até anos depois do tratamento oncológico e costuma provocar sangramentos repetidos, dor mais intensa, dificuldade para evacuar e, em casos mais graves, estreitamento do reto, feridas profundas e comunicações anormais com órgãos vizinhos.

A suspeita do problema surge a partir da história clínica do paciente que já passou por radioterapia na região pélvica e passa a apresentar sintomas intestinais persistentes. Para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão das lesões, exames endoscópicos podem ser indicados, permitindo a visualização direta do interior do intestino. A retirada de fragmentos do tecido para análise geralmente é evitada devido à fragilidade da mucosa, sendo reservada apenas para situações em que há dúvida diagnóstica.

O tratamento varia conforme a intensidade dos sintomas. Em quadros leves ou moderados, podem ser utilizados medicamentos aplicados localmente para reduzir a inflamação e proteger a mucosa, além de medidas para aliviar o desconforto intestinal. Em situações em que o sangramento é mais frequente ou intenso, procedimentos realizados durante exames endoscópicos podem ser necessários para cauterizar os vasos frágeis e controlar as perdas de sangue. Esses métodos costumam apresentar bons resultados e podem ser repetidos quando necessário.

Nos casos mais graves, quando há complicações como estreitamento importante do reto, feridas profundas ou comunicações anormais com outros órgãos, a abordagem cirúrgica pode ser considerada. Essas intervenções são indicadas apenas quando os tratamentos menos invasivos não são suficientes. Em situações selecionadas, terapias complementares podem ser utilizadas para estimular a cicatrização dos tecidos lesionados.

A retite actínica exige acompanhamento médico contínuo e individualizado. Não existe uma única abordagem que funcione para todos os pacientes, e o plano de cuidado deve levar em conta a gravidade dos sintomas, as condições gerais de saúde e o impacto da doença na vida do paciente. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível controlar os sintomas na maioria dos casos e reduzir significativamente as complicações, preservando a qualidade de vida.

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