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Rio Parnaíba navegável em 2026: promessa bilionária ou mais um projeto para o papel?

Desenvolvimento não se mede por anúncios. Se mede por entrega.

Essa notícia me fez lembrar da barca do sal, no governo Alberto Silva. Um projeto anunciado como símbolo de desenvolvimento, mas que deixou um rastro amargo. Naquele período, enquanto grandes obras eram prometidas, o Estado atrasava folha de pagamento, professores ficaram meses sem salário e muitos alunos perderam o ano letivo. O preço da propaganda foi pago pela população.

Também é impossível não lembrar do Porto de Luís Correia — um empreendimento que engoliu milhões de reais, atravessou governos, discursos e maquetes, mas por muito tempo nunca saiu do papel. Só agora, décadas depois, é que as obras de fato avançam, dando algum sinal de que o projeto pode, finalmente, se concretizar.

Por isso, quando se anuncia que o Rio Parnaíba voltará a ser navegável, a reação natural não é o entusiasmo imediato, mas a cautela. No Piauí, a experiência ensina que grandes anúncios precisam ser acompanhados de execução, transparência e resultados concretos. É preciso esperar para crer.

Segundo a divulgação oficial, as obras para tornar o Rio Parnaíba navegável devem começar ainda em 2026, com investimento estimado em R$ 995 milhões. O projeto prevê a revitalização de mais de 900 quilômetros da hidrovia, ligando o sul do estado — principal polo agrícola — ao litoral, com a promessa de escoar a produção de grãos e reduzir custos logísticos.

A execução ficará sob responsabilidade da Companhia Porto Piauí, que passou a administrar o trecho navegável após a transferência da competência pela União, em maio de 2025. Os recursos viriam dos royalties da privatização da Eletrobras e seriam aplicados em fases progressivas, com estudos técnicos e ambientais já em andamento.

No papel, tudo parece bem planejado. Na prática, o Piauí já viu muitos projetos grandiosos nascerem em discursos e morrerem na realidade. Que desta vez seja diferente. Mas a confiança só virá com máquinas trabalhando, prazos cumpridos e benefícios reais para a população — não apenas para apresentações em slides ou discursos oficiais.

 

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