Retorno do espaço expõe reabilitação de astronautas na Terra real

Astronautas da missão Artemis 2 são retirados da cápsula após amerissagem e iniciam protocolo médico de reabilitação.
Imagem: Keegan Barber/Nasa/AFP…

A volta à Terra da missão Artemis 2 marca o início de uma fase crítica para os astronautas, que precisam readaptar o corpo à gravidade após dez dias no espaço. O processo começa logo após a amerissagem, quando a equipe é retirada da cápsula com apoio da Marinha dos Estados Unidos e encaminhada para avaliações médicas imediatas.

O impacto da microgravidade no organismo torna essa etapa essencial. Sem a ação constante da gravidade, o corpo passa por adaptações profundas que afetam o equilíbrio, a circulação e a força muscular, exigindo acompanhamento rigoroso e reabilitação estruturada após o retorno.

Segundo a NASA, sintomas como tontura, dificuldade para ficar em pé e queda de pressão são comuns nas primeiras horas e dias. Isso ocorre porque o sistema cardiovascular e o equilíbrio interno se ajustaram a um ambiente sem peso, o que compromete temporariamente a estabilidade ao voltar à Terra.

Relatos de astronautas reforçam essa realidade. O ex-tripulante Leland Melvin descreveu episódios de desorientação ao tentar realizar tarefas simples após retornar de missões na Estação Espacial Internacional, evidenciando como o corpo precisa reaprender movimentos básicos.

Mesmo com exercícios diários no espaço, a perda de massa muscular é inevitável. Por isso, os astronautas passam por um programa intensivo de recondicionamento físico que pode durar até 45 dias, com sessões diárias de cerca de duas horas. O coração, que trabalha menos em microgravidade, também precisa se readaptar ao esforço de bombear sangue contra a gravidade terrestre.

Em cerca de dez dias, a maioria já consegue retomar atividades simples, mas há restrições importantes. Especialistas recomendam evitar dirigir por pelo menos uma semana, devido ao risco de tonturas e perda de equilíbrio. Durante esse período, os astronautas são acompanhados por equipes médicas, como as do Centro Espacial Johnson, em Houston.

Além dos efeitos imediatos, há impactos que podem persistir por anos. O astronauta brasileiro Marcos Pontes relatou alterações como problemas auditivos, mudanças de peso e condições dermatológicas após sua missão, indicando que o retorno do espaço pode deixar marcas duradouras no organismo.

Outro efeito comum é a alteração temporária da coluna vertebral. Em microgravidade, a coluna se expande, fazendo com que os astronautas fiquem ligeiramente mais altos. Ao retornar à Terra, o corpo volta gradualmente à sua condição normal, o que pode causar dores nas costas durante o processo.

Embora a maioria dos astronautas retome suas atividades em poucas semanas, o monitoramento de saúde continua por longos períodos. Esse acompanhamento não apenas garante a segurança dos tripulantes, mas também fornece dados essenciais para futuras missões de longa duração, incluindo viagens planejadas para a Lua e Marte.

Fonte: NASA

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