Nesta sexta-feira (20), o equinócio de março marca o início do outono no Hemisfério Sul. No Piauí, porém, mais do que a mudança no calendário astronômico, é o regime de chuvas que determina o ritmo da natureza – especialmente a atividade das abelhas e a produção de mel.
O estado, que não apresenta estações bem definidas, tem o clima organizado em dois períodos principais: o chuvoso, conhecido como “inverno”, e o seco, associado ao “verão”. Essa dinâmica orienta diretamente as atividades no campo e impacta setores como a apicultura.
Em 2026, o comportamento das chuvas tem sido decisivo. O início do ano foi marcado por precipitações irregulares, seguido por um volume mais significativo em março, com impactos em regiões do Sul, como Uruçuí e Picos, e também no Norte, em áreas como Piripiri.
Esse cenário ganha ainda mais relevância após um 2025 considerado difícil para o setor. Produtores registraram uma queda de aproximadamente 35% na produtividade de mel, reflexo direto das condições climáticas adversas ao longo do ano.
A produção de mel no Piauí – líder no Nordeste e uma das maiores do país – depende diretamente da regularidade das chuvas para garantir a florada. Após um começo de ano incerto, a melhora nas precipitações em março trouxe perspectivas mais positivas para a safra atual.
Durante o período chuvoso, a maior oferta de flores amplia a disponibilidade de néctar e pólen, favorecendo o fortalecimento das colmeias e o aumento da produção. Já na estiagem, a escassez de recursos naturais reduz a atividade das abelhas e impõe desafios ao manejo.
Entre os principais entraves apontados por apicultores está a oscilação climática, com alternância entre secas prolongadas e chuvas intensas. Esse desequilíbrio afeta diretamente a florada e compromete a previsibilidade da produção.
O apicultor Halan Silva destaca que, além da dependência climática, o mel produzido no estado possui um diferencial importante no mercado. “O mel do Piauí tem grande valor porque é 100% orgânico, algo cada vez mais raro no mundo por conta da ação humana”, afirma.
Diante desse cenário, a retomada das chuvas em março reacende a expectativa de uma safra mais favorável em 2026. Ainda assim, produtores mantêm cautela, já que a irregularidade climática continua sendo um fator de risco para a atividade.