
Profissionais de enfermagem realizaram, na manhã desta quinta-feira, uma manifestação em frente ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT). O ato foi motivado pelo que eles classificam como perseguição, retirada de direitos e ameaça à remuneração dos trabalhadores readaptados.
Segundo Erick Riccely, Presidente do SENATEPI, a diretora de enfermagem do hospital solicitou ao SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) um parecer para questionar ou até suspender o adicional de insalubridade dos profissionais que estão readaptados — medida que, segundo ele, não compete ao cargo, contrariando a Resolução 727, que regulamenta as funções da direção de enfermagem.
“Ela cria um problema para a própria categoria, algo que não vemos acontecer com outros profissionais. Questionar a insalubridade de quem continua dentro do hospital, exposto a vírus, bactérias e riscos, é uma injustiça”, afirma Erick. Ele lembra que o Estatuto do Servidor garante que não pode haver redução de remuneração, especialmente para quem já está fragilizado. “Muitos estão readaptados porque adoeceram trabalhando aqui dentro.”
O adicional de insalubridade para técnicos de enfermagem varia entre R$ 350 e R$ 450, valor que, segundo o grupo, representa pouco impacto financeiro para a administração, mas é crucial para trabalhadores que recebem, em muitos casos, um salário mínimo.
“É uma covardia”
Para os manifestantes, a diretora de enfermagem estaria atropelando as instâncias responsáveis e agindo sem diálogo. “Na história da Fundação Municipal de Saúde nunca vimos algo assim. Nem a gestão anterior tentou prejudicar a categoria, principalmente quem está em situação mais vulnerável”, reforça Erick.
Ele alerta ainda que o problema tende a crescer. A diretora afirma que apenas 10% dos profissionais do HUT seriam afetados, mas segundo os trabalhadores, o número é bem maior quando considerados os demais hospitais da rede.
Além da tentativa de suspensão da insalubridade, eles denunciam a existência de assédio moral e coerção dentro da unidade.
Profissionais adoecem no trabalho
O técnico de enfermagem Vasconcelos, que também participou do ato, explica que os principais problemas de saúde entre os colegas são lesões na coluna e desgaste físico, resultado de anos de trabalho pesado no atendimento a pacientes graves.
“Quem está readaptado continua trabalhando dentro do HUT, exposto aos mesmos riscos. Não é justo perder esse direito. Muitos adoeceram exatamente pela função que exerciam”, afirma.
Apesar das denúncias, Vasconcelos acredita que a Fundação Municipal de Saúde não tem conhecimento pleno do que está acontecendo. “A nota que saiu foi da diretora de enfermagem. Não sei se ela está agindo por conta própria, mas estamos pedindo que esses profissionais sejam reenquadrados e mantenham seus salários na íntegra.”
Os profissionais reforçam que vão continuar mobilizados até que a FMS se manifeste oficialmente e garanta a preservação dos direitos da categoria.






