
As investigações sobre a atuação do tenente Alexandre Tupinambá, da Polícia Militar do Piauí, ganharam um novo capítulo após a Polícia Civil identificar que outro funcionário também teria sido alvo de um plano para provocar sua morte. O militar já estava preso pela suspeita de envolvimento no homicídio do caseiro José de Ribamar Pereira Osorio, ocorrido em 2023, e agora responde por uma segunda tentativa de homicídio. A Justiça converteu sua prisão temporária em preventiva neste domingo (16).
No decorrer das apurações, os investigadores descobriram uma apólice de seguro de vida de R$ 1 milhão em nome de um trabalhador ligado à família da ex-esposa do tenente. O beneficiário era o próprio Tupinambá. Depoimentos revelam que o militar teria planejado simular novamente um acidente elétrico para matar a vítima. O funcionário contou que, ao receber a tarefa de retirar um suporte de TV, percebeu fios desencapados conectados ao equipamento, o que indicava risco de descarga elétrica fatal. Ele conseguiu evitar o acidente ao perceber o perigo antes de tocar no objeto.
Responsável pelo caso, o delegado Tales Gomes explicou que o avanço da investigação reforçou a necessidade da prisão preventiva, diante da possibilidade de coerção de testemunhas e do risco de novos ataques. Segundo ele, os trabalhos continuam para identificar outras pessoas que possam estar envolvidas.
O caso que deu origem às investigações ocorreu em abril de 2023. José de Ribamar, caseiro e funcionário do tenente, foi encontrado morto no sítio do militar em Santo Inácio do Piauí. A morte foi inicialmente tratada como acidente, mas diligências posteriores indicaram indícios de manipulação da cena, falsificação de documentos e tentativas de silenciar familiares. A polícia suspeita que o crime tenha sido cometido para permitir o recebimento de um seguro de vida de R$ 1,5 milhão, cujo beneficiário era um advogado amigo de Tupinambá. A família da vítima desconhecia a apólice.
A investigação aponta ainda que o tenente teria oferecido dinheiro a uma das filhas do caseiro para que a família permanecesse em silêncio sobre o seguro. No dia da morte, José de Ribamar saiu com o tenente após ser orientado por ele a não comentar com ninguém sobre a ida ao sítio. Como ele não retornou, a esposa foi ao local e encontrou o marido morto.
Além das acusações de homicídio e tentativa de homicídio, Alexandre Tupinambá tem histórico de envolvimento em golpes financeiros. Ele foi preso em junho de 2023 por suspeita de estelionato em Teresina. Entre as vítimas está a conselheira do Tribunal de Contas do Estado, Flora Izabel, que teve cheques furtados enquanto o militante atuava como motorista. A ex-esposa também relata prejuízos após descobrir que bens do casal foram colocados à venda sem sua autorização. De acordo com a Polícia Civil, o tenente chegou a entregar veículos pertencentes a vítimas para quitar dívidas com agiotas. Os prejuízos ultrapassam R$ 1 milhão.






