
247 – A Polícia da Cidade de Buenos Aires realizou, na sexta-feira (22), 14 mandados de busca em meio às investigações sobre um esquema de propina que atinge pessoas próximas ao presidente da Argentina, Javier Milei. As informações foram divulgadas pelo jornal Clarín e pelo portal Metrópoles. Entre os alvos, está a secretária-geral da Presidência e irmã do chefe de Estado, Karina Milei.
Operação e apreensões
Segundo fontes ligadas à investigação, os policiais recolheram quase US$ 200 mil em dinheiro vivo, além de computadores, documentos de compras e contratos. Parte do montante foi encontrada em envelopes dentro de um veículo ligado ao empresário Emmanuel Kovalivker, dono da farmácia Suizo Argentina.
Apesar da gravidade das suspeitas, até o momento não foram expedidos mandados de prisão. A prioridade, segundo o Ministério Público, é reunir provas como registros de licitação, contratos e dispositivos eletrônicos que possam confirmar a existência de um esquema estruturado de cobrança de propina no governo.
Denúncias e acusados
A denúncia foi formalizada pelo advogado Gregorio Dalbón, representante da ex-presidente Cristina Kirchner. Além de Karina Milei, também são citados no processo o próprio presidente Javier Milei, o funcionário da Secretaria-Geral Eduardo “Lule” Menem, Spagnuolo e Kovalivker.
As acusações envolvem crimes como corrupção passiva, administração fraudulenta, associação ilícita e violação à Lei de Ética Pública. Até agora, a Casa Rosada não se manifestou oficialmente sobre o caso.
O conteúdo dos áudios
Nos áudios divulgados, Spagnuolo relata que fornecedores de medicamentos eram obrigados a repassar 8% do valor dos contratos como propina, sendo que 3% iriam diretamente para Karina Milei. Ele ainda afirma que 1% era destinado a “operações”.
Em uma das gravações, o ex-diretor da ANDIS assegura ter informado Javier Milei sobre a situação, alegando não participar do esquema. “Tenho todas as mensagens de WhatsApp de Karina”, declarou Spagnuolo, sugerindo que poderia apresentar conversas que reforçariam suas acusações.
Apesar de afirmar que o presidente argentino não estaria diretamente envolvido, o ex-dirigente destacou que pessoas próximas a ele faziam parte do suposto esquema de corrupção.