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Piauí zera assassinatos de pessoas trans pela primeira vez desde 2017

A informação consta na nona edição do Dossiê: Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras e ganha relevância em um cenário nacional ainda alarmante.

Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2017, o Piauí não registrou assassinatos de travestis e transexuais. O dado, divulgado nesta segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), marca uma ruptura importante em um estado que, em 2024, havia contabilizado quatro mortes desse tipo.

A informação consta na nona edição do Dossiê: Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras e ganha relevância em um cenário nacional ainda alarmante. Em 2025, o Brasil registrou 80 assassinatos de pessoas trans, uma queda de 34% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, o país segue há quase 18 anos no topo do ranking mundial desse tipo de violência.

Segundo a presidente da Antra, Bruna Benevides, os números revelam um sistema que naturaliza a violência contra pessoas trans. “Não são mortes isoladas. São resultado de exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo”, afirma.

A Região Nordeste concentrou o maior número de casos em 2025, com 38 assassinatos. Ceará e Minas Gerais lideraram o ranking estadual, com oito mortes cada. No recorte histórico entre 2017 e 2025, São Paulo aparece como o estado mais letal, com 155 registros. A maioria das vítimas é de travestis e mulheres trans, jovens entre 18 e 35 anos, predominantemente negras e pardas.

O dossiê alerta que, apesar da redução nos assassinatos, houve aumento nas tentativas de homicídio, o que indica que a queda não representa, necessariamente, uma diminuição real da violência. A Antra aponta ainda problemas como subnotificação, descrédito nas instituições e ausência de políticas públicas específicas de enfrentamento à transfobia.

Os dados reforçam levantamentos do Grupo Gay da Bahia, que registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ no Brasil em 2025. Apesar da queda em relação ao ano anterior, o número ainda equivale a uma morte a cada 34 horas.

O Piauí rompeu, em 2025, uma sequência histórica de mortes. O desafio agora é transformar esse resultado em política permanente, garantindo que a ausência de registros não seja um ponto fora da curva, mas o início de uma mudança duradoura.

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