
O Piauí passou a contar com uma ferramenta inédita no combate a intoxicações por metanol: o fomepizol, medicamento raro e utilizado quando o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas coloca a vida em risco. O envio, feito pelo Ministério da Saúde, inclui 24 unidades destinadas ao estado e faz parte de um lote nacional de 2,5 mil ampolas, com parte mantida em estoque estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS).
A compra do antídoto foi realizada de forma inédita no país, por meio do Fundo Estratégico da Opas, com apoio da Anvisa. Apenas oito dias após o pedido oficial do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o medicamento foi adquirido junto à subsidiária de uma empresa japonesa, diante da escassez global e do alto custo de produção.
Segundo Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, o fomepizol se torna uma alternativa ao etanol farmacêutico, já disponível em todos os estados, oferecendo mais segurança e opções no tratamento de intoxicações graves. “A ideia é garantir que cada estado tenha ambos os medicamentos à disposição para emergências”, afirmou.
A distribuição levou em conta a população de cada unidade federativa, conforme dados do IBGE, de modo a assegurar que a oferta seja proporcional à demanda. Novas remessas podem ser solicitadas sempre que necessário, permitindo que o sistema responda rapidamente a surtos ou casos isolados.
Situação atual no país
O Brasil registrou, até 13 de outubro, 213 notificações de intoxicação por metanol ligadas ao consumo de bebidas adulteradas. Entre essas ocorrências, 32 foram confirmadas e 181 ainda estão sob investigação. No Piauí, foram contabilizados quatro casos, com três descartados. O estado de São Paulo é o único que confirmou óbitos (cinco), enquanto nove mortes estão em análise em outras regiões.
Reforço do tratamento
Nos próximos dias, o Ministério da Saúde também receberá 3,8 mil ampolas de etanol farmacêutico, doadas pela empresa Cristália, reforçando o estoque nacional. Somadas às 4,3 mil unidades já entregues a hospitais universitários federais em parceria com a Ebserh, essas quantidades fortalecem a rede de atendimento a intoxicações químicas em todo o país.
Com a chegada do fomepizol, o Piauí passa a integrar a rede nacional de resposta a intoxicações por produtos químicos, garantindo mais opções de tratamento e aumentando a segurança de pacientes em situações de emergência.






