
O Piauí registrou, em 2025, o maior número de doações de órgãos desde o início da série histórica, iniciada em 2001. Foram contabilizadas 54 doações de múltiplos órgãos por morte encefálica, 74 rins, 2.805 córneas e 157 doações com o coração parado, segundo a Central de Transplantes do Estado.
Os dados refletem o avanço das políticas públicas voltadas à captação de órgãos e ao fortalecimento da rede estadual de saúde. A doação representa, para muitos pacientes que aguardam na fila, a única possibilidade de continuar vivendo.
Coordenada pela médica Maria de Lurdes Veras, a Central de Transplantes tem ampliado serviços e investido na conscientização da população sobre a importância de autorizar a doação.
De acordo com a coordenadora, o principal desafio ainda é a abordagem familiar em momentos de dor extrema. Muitas das mortes que possibilitam a doação ocorrem de forma inesperada, como em acidentes, casos de violência ou hemorragias cerebrais. Nessas situações, a decisão exige informação clara e acolhimento.
Ela reforça que, sem doador, não há transplante. Por isso, conversar em vida sobre o desejo de doar órgãos é fundamental para que os familiares estejam preparados diante de uma eventual decisão.
Quando a autorização é concedida, os órgãos são inseridos no Sistema Nacional de Transplantes, coordenado pelo Ministério da Saúde. O sistema prioriza, sempre que possível, pacientes da mesma região, o que facilita a logística e aumenta as chances de sucesso do procedimento.
Atualmente, o estado realiza transplantes de rins e córneas, com procedimentos concentrados em hospitais públicos como o Hospital Getúlio Vargas, em Teresina. A meta é expandir o atendimento para outras cidades do interior, como Floriano e Picos, ampliando o acesso à população do Sul do Piauí e de outras regiões.
Ao longo de 25 anos de atuação, a Central de Transplantes consolidou avanços estruturais e ampliou o alcance das ações para além da capital. O crescimento nas doações em 2025 reforça o papel estratégico do estado no cenário nacional e evidencia a importância da informação para salvar vidas.
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