Suspeita de vazamento na megaoperação levanta dúvidas sobre falha interna e favorecimento a líderes do crime organizado // Fachada do Prédio da Polícia Federal em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) Bluesky LogoBluesky
247 – A Polícia Federal vai instaurar um inquérito para apurar se houve vazamento de informações que comprometeram a megaoperação deflagrada contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida passou a ser avaliada após ao menos oito suspeitos de alta relevância, entre eles os principais líderes do esquema no setor de combustíveis, conseguirem escapar antes da ação policial.
Segundo o g1 a Justiça Federal havia expedido 14 mandados de prisão preventiva, mas entre os foragidos estão nomes considerados centrais na estrutura da quadrilha, como Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”. Delegados e agentes da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (DICOR) da PF afirmam que, em operações dessa magnitude, os investigados são monitorados com antecedência justamente para evitar fugas, o que torna a situação ainda mais suspeita.
Investigadores ouvidos pela reportagem mostraram preocupação com o fato de que diversos alvos monitorados desapareceram pouco antes da operação. “O que nos causa grande estranheza é que muitos dos alvos monitorados escaparam de véspera. Temos indicativos de que fugiram de casa um dia antes da operação ou poucos dias antes”, declarou um dos agentes, de acordo com a reportagem.
A investigação irá verificar se houve facilitação de agentes públicos ou falha no sigilo das informações. A operação envolveu não apenas a Polícia Federal, mas também o Ministério Público, a Receita Federal, fiscais estaduais e federais, além de representantes da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Segundo a PF, a cooperação entre diferentes órgãos foi necessária porque muitos alvos apareciam em apurações paralelas do MP e da própria Polícia Federal.
A megaoperação revelou como a facção criminosa vinha se infiltrando na cadeia produtiva do álcool e dos combustíveis. A suspeita é de que a organização movimentava milhões em esquemas de adulteração de combustíveis e sonegação fiscal. De acordo com os investigadores, o material apreendido é considerado robusto e deve indicar novos grupos envolvidos no esquema criminoso.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a atuação do crime organizado através de fintechs e fundos de investimento passará a ser rigidamente fiscalizada. Ele explicou que essas plataformas têm sido utilizadas para lavar e multiplicar o dinheiro ilícito da facção, mas que a tecnologia do governo já está preparada para rastrear tais operações.
“Usaremos a Inteligência Artificial que já dispomos para rastrear e acompanhar o que entra e o que sai das fintechs. Quem abastece as contas, como se dão as movimentações, para onde foi o dinheiro. Quem está fazendo o quê”, disse Haddad.
O ministro reforçou que a fiscalização será tão rigorosa quanto a aplicada ao sistema bancário tradicional e destacou que operações atípicas ou sem identificação clara não passarão despercebidas. “Tudo isso a nossa IA vai pegar e vamos para cima de quem estiver fazendo coisa errada. Vamos seguir o dinheiro do criminoso”, completou.