
Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP), criaram um método simples e acessível capaz de detectar a presença de metanol em bebidas e combustíveis em poucos minutos. O teste, que custa cerca de R$ 10 por amostra, promete ser uma ferramenta eficaz no combate à adulteração de produtos e à prevenção de intoxicações.
A tecnologia foi desenvolvida há três anos pela pesquisadora Larissa Alves de Mello Modesto, durante seu mestrado, e está patenteada desde 2022. Apesar do potencial, o kit ainda não chegou ao mercado por falta de parceria com empresas interessadas na produção em larga escala.
Segundo Larissa, o objetivo sempre foi criar um método rápido, barato e confiável, que pudesse ser utilizado fora dos laboratórios. Com a recente preocupação nacional sobre bebidas contaminadas, a solução volta a ganhar importância.
O teste consegue identificar adulterações em diferentes tipos de bebidas alcoólicas, como cachaça, uísque e vodca, além de ser aplicável também a combustíveis como etanol e gasolina. O processo é simples e não requer conhecimento técnico especializado.
De acordo com a pesquisadora, o método se baseia em uma sequência de reações químicas que mudam de cor conforme o nível de contaminação por metanol. A coloração resultante indica a quantidade da substância na amostra, variando de verde, que representa ausência de contaminação, até azul-escuro, que sinaliza níveis elevados e risco à saúde.
A precisão do teste segue parâmetros reconhecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que garante confiabilidade aos resultados.
Larissa explica que o produto foi pensado para ser usado por bares, distribuidoras e organizadores de eventos, como uma forma de garantir a segurança do consumidor antes da comercialização das bebidas. Ela reforça que é uma ferramenta preventiva, capaz de evitar intoxicações e salvar vidas.
O metanol é uma substância altamente tóxica utilizada ilegalmente para baratear a produção de bebidas e combustíveis. A ingestão, mesmo em pequenas quantidades, pode causar cegueira, danos neurológicos e até a morte.
A patente do projeto está disponível para licenciamento por meio da Agência Unesp de Inovação (AUIN), que intermedeia o processo de transferência de tecnologia entre a universidade e empresas interessadas.
Empresas e empreendedores que desejarem comercializar o produto podem entrar em contato pelos e-mails auin@unesp.br ou auin.tt@unesp.br.






