
Uma pesquisa internacional com participação de um hospital universitário do Piauí está em andamento e pode trazer um avanço importante no tratamento da hanseníase na forma multibacilar, que é a mais grave e com maior potencial de transmissão. O estudo reúne equipes do Brasil e da Índia e avalia um novo medicamento que pode diminuir pela metade o tempo necessário de tratamento atualmente adotado para a doença.
No Piauí, os trabalhos são conduzidos por uma médica especialista em dermatologia. A proposta da pesquisa é comparar o novo protocolo com o esquema terapêutico tradicional, que dura cerca de um ano e utiliza a combinação de antibióticos. Caso os resultados sejam positivos, o tratamento poderá ser reduzido para seis meses, o que pode significar menos reações adversas, maior adesão dos pacientes e melhores condições de recuperação, com menor risco de sequelas.
A hanseníase é uma infecção crônica causada por uma bactéria que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Sem diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, a doença pode provocar perda de sensibilidade, deformidades e limitações permanentes. Mesmo com cura disponível e tratamento gratuito na rede pública de saúde, o Brasil ainda registra um número elevado de novos casos todos os anos, segundo dados de órgãos nacionais e internacionais da área da saúde.
Na forma multibacilar, o tratamento precisa ser mais prolongado devido à maior quantidade de bactérias no organismo e ao risco aumentado de transmissão. O tempo extenso de uso dos medicamentos é um dos principais motivos de abandono da terapia, o que favorece o surgimento de complicações e a continuidade da circulação da doença.






