
Uma pesquisa nacional revela que mais da metade dos trabalhadores autônomos e empreendedores que já tiveram carteira assinada deseja retornar ao regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). O levantamento mostra que 56% desse público gostaria de voltar a contar com os direitos garantidos pelo trabalho formal.
O estudo ouviu 3.850 pessoas em todo o país, por meio de entrevistas presenciais realizadas entre maio e junho de 2025, e analisou a realidade de profissionais que atuam por conta própria ou por meio de plataformas digitais. Entre os principais relatos estão a falta de rotina, citada por 55% dos entrevistados, e a percepção de que o trabalho ocupa tempo excessivo do dia, apontada por 58%.
A pesquisa abrangeu diversas ocupações, como ambulantes, trabalhadores da construção civil, cabeleireiros, comerciantes, cozinheiros, artesãos, técnicos em tecnologia da informação, manicures, mecânicos e prestadores de serviços gerais, atividades frequentemente associadas à informalidade.
Os dados indicam ainda que 56,5% dos entrevistados avaliam que o mercado oferece poucas oportunidades de emprego de qualidade. Entre os principais entraves para conseguir uma colocação melhor estão os salários baixos, mencionados por 44,5%, as exigências elevadas, apontadas por 38,7%, e a baixa valorização profissional, citada por 25,5%.
Embora esse grupo seja frequentemente classificado como empreendedor, a percepção dos próprios trabalhadores é diferente. Apenas um em cada seis autônomos se considera, de fato, empreendedor, o que reforça a sensação de instabilidade e insegurança em relação ao futuro profissional.
Entre os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada, a maioria atua como microempreendedor individual (MEI) ou como pessoa jurídica (PJ). Mais da metade já teve vínculo formal anteriormente. Dentre eles, 59,1% afirmaram que certamente retornariam ao regime CLT, enquanto 30,9% disseram que considerariam essa possibilidade.
O levantamento foi realizado a pedido de diversas centrais sindicais e reforça o debate sobre precarização das relações de trabalho, informalidade e a busca por maior proteção social no mercado brasileiro.






