(Reuters) – A passagem de fronteira de Rafah, entre Gaza e o Egito, permanecerá fechada até segunda ordem, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu neste sábado, acrescentando que sua reabertura dependerá da entrega dos corpos dos reféns mortos pelo Hamas.
A declaração de Netanyahu ocorreu pouco depois de a embaixada palestina no Egito anunciar que a passagem de Rafah, principal porta de entrada e saída dos habitantes de Gaza, seria reaberta na segunda-feira para a entrada em Gaza.
A disputa em torno da devolução dos corpos enfatiza a fragilidade do cessar-fogo e ainda tem o potencial de perturbar o acordo, assim como outras questões importantes incluídas no plano de 20 pontos do presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar a guerra.
Como parte do acordo, o Hamas libertou todos os 20 reféns israelenses vivos que mantinha há dois anos, em troca de quase 2.000 detentos palestinos e prisioneiros condenados presos em Israel.
Israel, no entanto, afirma que o Hamas tem sido muito lento para entregar os corpos dos reféns mortos ainda em seu poder. Até o momento, o grupo militante devolveu 10 dos 28 corpos e diz que a localização de alguns dos corpos em meio à vasta destruição em Gaza levará tempo.
Rafah está praticamente fechada desde maio de 2024. O acordo de cessar-fogo também inclui o aumento da entrada de ajuda humanitária no enclave, onde centenas de milhares de pessoas são afetadas pela fome, de acordo com o monitor global de fome IPC.
Após cortar todos os suprimentos por 11 semanas em março, Israel aumentou a ajuda a Gaza em julho, ampliando-a ainda mais desde o cessar-fogo.
Cerca de 560 toneladas de alimentos entraram em Gaza por dia, em média, desde a trégua intermediada pelos EUA, mas isso ainda está bem abaixo da escala de necessidade, de acordo com o Programa Mundial de Alimentos da ONU.
Ainda há grandes obstáculos para o plano de Trump. As principais questões sobre o desarmamento do Hamas e a forma como Gaza será governada, a composição de uma “força de estabilização” internacional e os movimentos em direção à criação de um Estado palestino ainda não foram resolvidos.







