No aniversário de 173 anos de Teresina, o acadêmico e sacerdote Tony Batista, membro da Academia Piauiense de Letras, publicou um texto em tom confessional e poético dedicado à capital. Intitulado “Conversa de amor com Teresina”, o escrito mescla afeto, crítica e esperança, em um diálogo literário com a cidade que completa quase dois séculos de existência.
“Como faz bem ao meu coração e como acalenta a minha alma viver no teu seio, repousar no teu regaço, aprender nos teus joelhos as mais lindas lições de simplicidade, de amor, de hospitalidade e acolhimento”, escreve Padre Tony em uma das passagens.
Na carta, o autor resgata versos de filhos ilustres da cidade, como Cineas Santos e Lázaro do Piauí, para compor um mosaico de imagens e memórias que evocam tanto a beleza natural quanto a hospitalidade teresinense. O verde das árvores, o encontro dos rios Parnaíba e Poty e o espírito acolhedor de seu povo aparecem como símbolos de orgulho e identidade.
O texto, no entanto, não ignora as dificuldades da capital. O padre aponta o crescimento desordenado, a falta de assistência em bairros periféricos, a precariedade de serviços públicos em décadas passadas e, sobretudo, a escalada da violência. “Quantas mortes violentas tens chorado nestes últimos tempos! Sobretudo nos choca a praga do feminicídio!”, lamenta.
Apesar das críticas, a mensagem é marcada pela esperança e pela fé. Para o sacerdote, Teresina segue sendo terra de religiosidade, devoção e solidariedade. “Os teus filhos e filhas não negam acolhimento, nem um prato a mais na mesa, nem um armador a mais nos cômodos das casas ou um caneco d’água a quem precisa”, escreve, celebrando o espírito de partilha.
Na conclusão, Padre Tony Batista sintetiza seu vínculo com a cidade:
“Pelo teu aniversário, amada Teresina, não tenho ouro nem prata, mas tenho o meu coração que te ofereço com prazer e amor. Ele é todo teu. Te amo, minha linda cidade.”
“Conversa de amor com Teresina” soma-se às diversas homenagens que marcam os 173 anos da capital, reafirmando o laço afetivo entre a cidade e aqueles que a habitam.








