
Mais de cinco décadas após a última missão tripulada à Lua, a Nasa prepara o retorno de astronautas à órbita lunar com a missão Artemis II. O voo contará com uma única espaçonave: a Orion, desenvolvida para transportar tripulantes com segurança ao redor da Lua e servir, no futuro, como etapa essencial em missões rumo a Marte.
O lançamento será feito pelo Space Launch System (SLS), considerado o foguete mais potente já construído. A Orion oferece espaço habitável para até quatro astronautas em missões de até 21 dias, sem necessidade de acoplamento a outra nave.
Módulo de tripulação reúne proteção térmica e estrutura reforçada
O módulo de tripulação da Orion é composto por uma cápsula com vaso de pressão feito de liga de alumínio, garantindo resistência, leveza e vedação. A parte inferior da nave conta com um escudo térmico de cerca de cinco metros de diâmetro, projetado para suportar temperaturas de até 2.760 °C durante a reentrada na atmosfera terrestre.
Segundo a Nasa, o escudo utiliza o material Avcoat, que queima de forma controlada para dissipar o calor. Já as laterais da cápsula possuem cerca de 1.300 placas de proteção térmica, feitas de fibra de sílica, capazes de proteger a nave tanto do frio do espaço quanto do calor extremo do retorno à Terra.
Interior foi projetado para conforto e segurança da tripulação
O interior da Orion foi desenvolvido para longas jornadas espaciais. A cápsula possui quatro assentos ajustáveis, capazes de acomodar aproximadamente 99% da população humana, além de piso estrutural reforçado em alumínio.
Entre os recursos disponíveis estão tanques de água potável, sistema para aquecimento de alimentos e um compartimento de higiene com vaso sanitário compacto. Em caso de exposição à radiação, os astronautas podem se abrigar em compartimentos de armazenamento localizados no piso da cápsula.
Módulo de serviço europeu garante energia e propulsão
A Orion conta ainda com um módulo de serviço fornecido pela Agência Espacial Europeia. Instalado logo abaixo da cápsula, ele é responsável pela geração de energia, propulsão, controle térmico, fornecimento de ar e água.
O módulo possui 33 motores, incluindo o motor principal, que permite manobras orbitais e retorno à Terra. A energia é gerada por quatro painéis solares, com cerca de 15 mil células solares, enquanto radiadores e trocadores de calor mantêm a temperatura interna estável.
Antes da reentrada na atmosfera, o módulo de serviço se separa da cápsula. Apenas o módulo de tripulação retorna à Terra ao fim da missão.
Paraquedas garantem pouso seguro após reentrada
Após atingir velocidades próximas de 40 mil km/h no retorno, a atmosfera terrestre reduz a velocidade da Orion. Em seguida, um sistema com 11 paraquedas é acionado para diminuir a velocidade final da cápsula para cerca de 32 km/h, garantindo um pouso seguro no oceano.
A espaçonave é ejetada a aproximadamente sete mil metros de altitude para permitir a abertura completa do sistema de paraquedas.
Missão Artemis II marca novo passo da exploração lunar
A missão Artemis II será a primeira tripulada do programa Artemis e levará quatro astronautas — três americanos e um canadense — para uma jornada de cerca de dez dias ao redor da Lua. O lançamento partirá do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, após a conclusão dos testes finais do SLS.
O voo não prevê pouso lunar, mas levará a tripulação ao ponto mais distante já alcançado por seres humanos no espaço, abrindo caminho para futuras missões com pouso na Lua e, posteriormente, viagens a Marte.






