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Operação de Castro está “inscrita no plano de golpe continuado”, diz Tarso Genro

Ele relembrou que alguns políticos chegaram a declarar que as milícias eram “uma coisa boa”, evidenciando uma conexão com o crime organizado.

Ao Fórum Onze Meia desta sexta-feira (31) o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Tarso Genro(PT) analisou a operação policial comandada pelo governador Cláudio Castro que provocou um massacre com mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Para ele, a operação está “inscrita no plano de golpe continuado”.

“Essa operação está inscrita num processo de golpe continuado contra as instituições democráticas do país. Porque nós sabemos que o estado do Rio de Janeiro é infiltrado pelo crime organizado e tem relações diretas com determinadas facções que foram até apresentadas, publicamente, por ilustres representantes da extrema direita”, afirmou Genro.

Ele relembrou que alguns políticos chegaram a declarar que as milícias eram “uma coisa boa”, evidenciando uma conexão com o crime organizado. “Então, nós temos que compreender que isso que ocorreu no Rio de Janeiro nada tem a ver com política de segurança pública. Isso é uma política de ocupação do território, que expôs, inclusive, a grande maioria dos policiais honestos que tem no Rio de Janeiro”, acrescentou Genro.

“Ou seja, foi um foi uma ação feita para desestabilizar o processo democrático e para dizer que a única possibilidade de segurança pública no país é a matança. Foi, na verdade, uma ofensiva para desestabilizar a transição democrática e responsabilizar o presidente Lula, responsabilizar o governo federal por um estado que você sabe que é um estado deteriorado nas suas instituições internas pelo crime organizado em todos os espaços institucionais”, avaliou Genro.

Portanto, o ex-ministro analisou que essa operação foi resultado de um “fluxo natural da política num estado criminalizado”, junto a uma necessidade de realizar uma nova ofensiva contra o governo Lula (PT) diante das eleições do ano que vem. “Chegou um momento em que a elite do governo disse: ‘nós temos que apresentar alguma coisa para a população do Rio de Janeiro porque senão o Lula vai ganhar a eleição aqui também’. Eu acho que esse foi o raciocínio feito”, disse Genro.

Transformar organizações criminosas em terroristas não é solução

O ex-ministro também avaliou a proposta da extrema direita de caracterizar as organizações criminosas como grupos terroristas. Para Genro, isso serviria mais como uma ajuda aos terroristas do que uma forma de combate ao crime organizado.

“Se essas organizações forem classificadas como terroristas, vai ser uma grande ajuda aos terroristas em escala nacional e global. Porque à medida que você confunde a natureza das operações do crime organizado e as formas com que ele se relaciona com a sociedade, que é uma forma tutelar estabelecida com determinadas comunidades, você vai deixar de lado o verdadeiro terrorismo que não tem esse tipo de relacionamento, que age na clandestinidade para se organizar militarmente seus atentados de forma separada, inclusive, da política”, destacou Genro.

Pronasci

Genro também falou sobre o seu Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, o Pronasci, apresentado em 2007 no segundo mandato do presidente Lula (PT), e que gerou impactos positivos no combate ao crime organizado. O ex-ministro explicou que o plano possui três características:

  • Ocupar o território com serviços do Estado que envolveriam diretamente a comunidade, acabar com as ocupações militares “estilo guerra às drogas” e estabelecer policiamento em proximidade e uso progressivo da força.
  • Desenvolver um leque de políticas preventivas vinculadas à juventude e ao programa “Mães da Paz”, envolvendo essas mulheres em atividades comunitárias, artísticas e formação técnica e profissional para criar um ambiente de relacionamento mais adequado com as comunidades, sem que fosse necessário utilizar a violência.
  • Organizar a ocupação do território com unidades de pacificação, a partir de orientação do governo federal, à medida que os serviços fossem entrando com segurança.

“Esse foi o único plano de segurança pública, disseminado em todo o território e aceito pelos governadores, que surtiu algum efeito no que se refere à diminuição da violência”, acrescentou Genro.

Confira a entrevista completa do ex-ministro Tarso Genro ao Fórum Onze e Meia

Revista Fórum

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