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Objetivo de Trump é se apoderar das reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo

Estados Unidos usam guerra às drogas como pretexto para pilhagem econômica // Donald Trump e Nicolás Maduro (Foto: Manaure Quintero/Reuters I Piroschka Van De Wouw/Reuters)

247 – A escalada militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, apresentada por Washington como parte da “guerra às drogas”, vem sendo interpretada por Caracas e por lideranças latino-americanas como uma ofensiva com motivação estratégica: o controle das gigantescas reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo. A Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris em reservas provadas, o que representa aproximadamente 17% das reservas globais, segundo estimativas citadas pela U.S. Energy Information Administration (EIA).

O cenário se agravou após relatos de explosões em Caracas e movimentação aérea incomum na capital. Segundo reportagem da Associated Press (AP), ao menos sete explosões e ruídos de aeronaves voando em baixa altitude foram ouvidos por volta das 2h da manhã (horário local) deste sábado, levando moradores de diversos bairros a saírem às ruas, assustados. A agência informou que o governo venezuelano não respondeu

Embora o governo norte-americano apresente suas operações recentes como parte de uma ofensiva contra o tráfico internacional, o contexto relatado pela própria AP aponta que o Exército dos EUA vem mirando barcos supostamente envolvidos com contrabando de drogas na região. Na leitura do governo venezuelano, porém, a narrativa do narcotráfico serviria como pretexto político e jurídico para justificar uma política de cerco e intervenção.

O presidente venezuelano Nicolás Maduro, ainda segundo a reportagem, afirmou que os Estados Unidos buscam forçar uma mudança de governo na Venezuela e acessar suas reservas de petróleo, em uma campanha de pressão que se intensificou após uma grande mobilização militar norte-americana no Mar do Caribe, iniciada em agosto.

A importância do petróleo no centro dessa disputa não é detalhe. A Venezuela é considerada dona da maior reserva provada de petróleo do planeta, com cerca de 303 bilhões de barris, concentrados principalmente na Faixa do Orinoco, região de petróleo extra-pesado que exige tecnologia e insumos específicos para extração e refino. A EIA destaca que, apesar do volume colossal de reservas, a Venezuela respondeu por uma fração pequena da produção global recente, em razão de sanções, dificuldades operacionais e restrições tecnológicas — o que reforça o valor estratégico do controle desses ativos.

Em outras palavras, trata-se de um patrimônio energético capaz de alterar o equilíbrio geopolítico regional e global. É esse peso econômico que sustenta a interpretação de que, por trás do discurso “antinarcóticos”, haveria uma lógica de punição, estrangulamento e captura de recursos.

Evo Morales denuncia “agressão imperial”

O clima de guerra ganhou ainda mais repercussão regional após a manifestação do ex-presidente boliviano Evo Morales, que classificou a ofensiva como uma agressão imperial. Em publicação nas redes sociais, ele declarou:

“Repudiamos com total contundência o bombardeio dos EUA contra a Venezuela. É uma brutal agressão imperial que viola sua soberania. Toda nossa solidariedade ao povo venezuelano em resistência. A Venezuela não está só!”

“Guerra às drogas” e a pressão como método

A própria AP registrou que, na sexta-feira, a Venezuela afirmou estar aberta a negociar um acordo com os Estados Unidos para combater o tráfico de drogas, o que indica que Caracas tenta impedir a escalada militar por vias diplomáticas. Ainda assim, o avanço de operações na região e o endurecimento das declarações políticas sugerem que o conflito pode se aprofundar, com impactos diretos sobre a estabilidade da América do Sul.

A combinação entre o relato de explosões em Caracas, operações militares sob justificativa antinarcóticos e acusações sobre a intenção de “mudança de regime” compõe um quadro em que, para a Venezuela e seus aliados, a guerra não seria contra o tráfico — mas contra o direito de um país controlar sua própria riqueza.

Em um continente historicamente marcado por intervenções e golpes estimulados por interesses externos, o episódio recoloca em debate a soberania latino-americana e o risco de que a disputa por recursos energéticos volte a ser decidida pela força.

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