
Vestir branco na virada do ano é quase um ritual coletivo. Mas, a cada Réveillon, cresce o número de pessoas que optam pelo preto — uma escolha que costuma despertar estranhamento, julgamentos e até superstições. Afinal, o que significa usar preto na virada do ano sob o olhar da psicologia? Segundo especialistas em comportamento humano, a resposta passa longe de ideias simplistas como “azar” ou “energia negativa”. O preto, na verdade, carrega um simbolismo profundo, ligado a introspecção, proteção emocional e fechamento de ciclos.
Essa característica ajuda a entender por que o preto foi historicamente associado ao luto. Não apenas pela tristeza, mas pela necessidade psicológica de retração, silêncio e redução de estímulos. “O luto exige recolhimento. O preto cumpre exatamente essa função psicológica”, afirma Scudeler.
- No entanto, quando usado conscientemente, especialmente na virada do ano, o significado muda. “Preto inconsciente é retração. Preto consciente é soberania interna”, resume o especialista.
- Essa característica também se conecta a processos de introspecção e autoconhecimento. Estudos em psicologia ambiental indicam que cores menos estimulantes favorecem foco e reflexão. Por isso, o preto aparece com frequência em momentos de transição, redefinição pessoal ou após períodos emocionalmente difíceis.
Poder, maturidade e comunicação não verbal
A psicóloga Alessandra Araújo, fundadora e CEO da Clínica Via Vitae, destaca o impacto do preto na comunicação não verbal. “Quem usa preto transmite força, liderança e sofisticação. É uma cor associada à autoridade, ao controle emocional e à maturidade”, explica.
No contexto do Réveillon, marcado por euforia, brilho e excesso, o preto se destaca justamente pela sobriedade. Ele comunica presença sem precisar de exuberância. “É uma escolha que sugere clareza de propósito e decisões mais realistas para o novo ciclo”, afirma Alessandra.
Diferente das cores tradicionalmente associadas a desejos externos, como prosperidade ou amor, o preto fala de um movimento interno. Não é um recomeço eufórico, mas um recomeço com estrutura, base sólida e maturidade emocional.
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