
Novas evidências do caso “$LIBRA” escândalo financeiro de pagamentos milionários para a promoção de uma criptomoeda fraudulenta que que envolvia de forma direta o presidente da Argentina, Javier Milei, e uma série de “sócios” do político, acendem novamente a polêmica no país vizinho.
Conforme reportagens do jornal argentino Clarín e El Destape, um documento encontrado no celular do lobista Mauricio Novelli, empresário do setor de criptoativos envolvido com Milei no escândalo, sugere que o presidente teria recebido cerca de US$ 5 milhões para promover a criptomoeda, em três etapas:
O recebimento de US$ 1,5 milhão como pagamento inicial (em dinheiro ou tokens, unidades de valor em tecnologia blockchain que funcionam como ativo digital);
Mais US$ 1,5 milhão após o anúncio público de apoio ao projeto por parte de Milei;
E, por fim, US$ 2 milhões pela formalização de um contrato de consultoria em blockchain e inteligência artificial.
A anotação menciona, ainda, uma pessoa que se identifica como “H” (provavelmente Hayden Davis, empreendedor norte-americano fundador da Kelsier Ventures, também envolvido com o caso).
Apenas três dias após o documento ter sido criado no celular de Novelli, em 14 de fevereiro de 2025, Milei publicou, em sua conta pessoal na plataforma X, um texto de promoção à “memecoin”, criptomoeda altamente volátil e associada a referências virtuais potencialmente humorísticas.
O colapso das ações gerou prejuízos massivos para os investidores que seguiram a recomendação de Milei: estima-se que tenham sido movimentados cerca de US$ 100 milhões no esquema.
Mauricio Novelli: o “Vorcaro” de Milei
No centro das investigações sobre o esquema de cripto está Mauricio Novelli, que se autodenomina “trader profissional” e cofundador da agência NW Professional Traders.
Novelli tem uma relação de longa data com Milei, desde antes de o atual presidente assumir o cargo. Ele também mantinha boa relação com , irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, mais conhecida por seu envolvimento no escândalo de uma rede de corrupção que extraía propinas a partir da supervalorização do preço de remédios e contratos da Agência Nacional para a Deficiência argentina (Andis).
Um dos aspectos mais perturbadores do caso envolve mensagens atribuídas a parceiros do projeto, e especialmente uma ligação feita por Novelli, em que se solicita a “compra de 12 meninas” para comemorar o fechamento de acordos relacionados à cripto.
Novelli diz: “Bom, doze meninas, no mínimo, vai. Tem que ser três grupos de quatro, ou quatro grupos de três, e ir revezando”. “É para isso que a gente [as] compra. É muito fácil de conseguir, muito”.
Novelli sugere que o “problema” com a “compra” das garotas é que elas “começam a encher o saco” ao sugerir que ele “precisa beber alguma coisa” ao invés de apenas anuir ao sexo.
A situação remete, no Brasil, aos desenvolvimentos do caso do Banco Master, pelo qual se investiga, agora, o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para negociar as delações no processo.
Entre os arquivos recuperados do celular de Vorcaro e encaminhados à CPMI do INSS (por suspeitas de contratos superfaturados e descontos em benefícios de aposentados e pensionistas), há mensagens em que se fala sobre “a contratação de umas 80 modelos” para uma festa, e a sugestão de que “ele só ficaria com loirinhas”.
Os casos apontam para um padrão recorrente entre a exploração da influência política e de corpos femininos como espécies de “prêmios” que sustentam o estilo de vida “esbanjador” de lobistas e financistas.
Fonte: Portal R-10