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Nova variante da Mpox reforça alerta para vigilância genômica em 2026

A identificação de uma nova variante recombinante do vírus da Mpox pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com registros no Reino Unido e na Índia, reacendeu o alerta para a importância da vigilância epidemiológica e do monitoramento genômico ao longo de 2026. No Brasil, não há, até o momento, situação de emergência sanitária relacionada à doença, mas autoridades e especialistas defendem a manutenção da vigilância ativa.

Segundo o infectologista e docente do IDOMED, Iris Ricardo Rossin, o surgimento de variantes recombinantes é um fenômeno conhecido em virologia e ocorre quando dois vírus relacionados infectam o mesmo indivíduo, possibilitando a troca de material genético. “Esse tipo de evento não significa, necessariamente, maior gravidade clínica, mas exige capacidade técnica de vigilância qualificada e sequenciamento genômico contínuo”, afirma.

A Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, permanece em circulação no país. Dados do Ministério da Saúde indicam que, após o pico de casos entre 2022 e 2023, houve redução expressiva das notificações. Apesar disso, novos registros continuam ocorrendo em diferentes estados, dentro do padrão esperado de vigilância epidemiológica.

Para o especialista, o fortalecimento da estrutura laboratorial é um dos principais desafios do momento. “Testes convencionais podem não identificar vírus recombinantes. O sequenciamento genômico permite compreender melhor a dinâmica da circulação viral e subsidiar estratégias de resposta em saúde pública”, explica.

Do ponto de vista clínico, a maioria dos casos de Mpox apresenta evolução leve ou moderada. As formas graves são menos frequentes e tendem a acometer pessoas com imunossupressão, como pacientes vivendo com HIV/Aids, em tratamento oncológico ou com outras condições que comprometam o sistema imunológico.

Transmissão

A Mpox é transmitida principalmente por contato direto com lesões de pele, fluidos corporais e mucosas de pessoas infectadas, além do contato com objetos e superfícies contaminadas. A transmissão também pode ocorrer durante contato íntimo. Em situações de exposição prolongada e próxima, há possibilidade de infecção por gotículas respiratórias.

Prevenção e orientação

Entre as principais medidas de prevenção estão evitar contato com lesões suspeitas, não compartilhar objetos de uso pessoal, higienizar frequentemente as mãos e buscar atendimento médico diante de sintomas como erupções cutâneas, febre e aumento dos linfonodos. A vacinação contra a Mpox está disponível no Brasil desde 2023, com aplicação prioritária em grupos de maior risco, conforme diretrizes do Ministério da Saúde e da Anvisa.

Rossin ressalta a importância de uma comunicação responsável sobre o tema. “É fundamental evitar alarmismo e estigmatização. Ao mesmo tempo, é necessário manter a população informada e fortalecer a vigilância epidemiológica. A experiência recente demonstra que respostas rápidas e coordenação entre os níveis do sistema de saúde são decisivas para prevenir novos surtos”, conclui.

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