Mulheres enfrentam sobrecarga e dupla jornada; especialista diz como preservar a saúde mental

Para lidar com a sobrecarga, o psicólogo recomenda a adoção de estratégias de autocuidado

O acúmulo de responsabilidades profissionais, domésticas e familiares tem impactado diretamente a saúde mental de muitas mulheres. No Mês da Mulher, o debate sobre a chamada “dupla jornada” ganha ainda mais relevância, evidenciando a necessidade de atenção ao bem-estar emocional diante de rotinas cada vez mais exigentes.

De acordo com o psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Estácio, Ítalo Silva, a sobrecarga emocional feminina está associada a múltiplos papéis desempenhados simultaneamente. “Muitas mulheres precisam conciliar trabalho, estudos, cuidados com a casa e com a família, além de lidar com cobranças internas e externas. Esse acúmulo pode gerar ansiedade, estresse crônico, exaustão e, em alguns casos, evoluir para quadros mais graves, como depressão”, explica.

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Segundo o especialista, a dificuldade em estabelecer limites e a pressão social para dar conta de tudo contribuem para o adoecimento emocional. “Existe uma expectativa cultural de que a mulher seja produtiva em todas as áreas da vida, o que aumenta a autocobrança e dificulta o reconhecimento dos próprios limites”, destaca.

Entre os principais sinais de alerta estão o cansaço constante, irritabilidade, alterações no sono, sensação de esgotamento e dificuldade de concentração. “Quando esses sintomas passam a interferir na rotina, é fundamental buscar ajuda profissional e não negligenciar o cuidado com a saúde mental”, orienta Ítalo.

Para lidar com a sobrecarga, o psicólogo recomenda a adoção de estratégias de autocuidado, como organização da rotina, divisão de tarefas, valorização de momentos de descanso e fortalecimento de redes de apoio. “Cuidar da saúde mental não significa abrir mão das responsabilidades, mas aprender a equilibrá-las de forma mais saudável”, afirma.

O especialista também reforça a importância de mudanças coletivas e estruturais. “Não é apenas uma questão individual. É necessário que a sociedade e os ambientes de trabalho reconheçam essas demandas e promovam condições mais equilibradas e justas”, pontua.

Neste Mês da Mulher, o alerta vai além da conscientização: é um convite para que mulheres priorizem seu bem-estar emocional e reconheçam que cuidar de si mesmas é essencial para uma vida mais saudável e equilibrada.

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