O Ministério Público do Estado do Piauí intensificou a cobrança por providências no Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu, após o homicídio de um paciente registrado em fevereiro de 2026. Em audiência extrajudicial realizada ontem, sexta-feira (20), o órgão reuniu representantes da unidade de saúde e de instituições estaduais para discutir medidas imediatas diante de um cenário considerado crítico.
A promotora de Justiça Débora Geane Aguiar Aragão alertou que a ausência de providências concretas amplia o risco de novos episódios de violência, inclusive contra profissionais que atuam no hospital. Durante a reunião, representantes da própria unidade relataram agressões frequentes a funcionários e a inexistência de equipe treinada para realizar contenção mecânica de pacientes em surto, o que agrava a vulnerabilidade em situações de crise.
Também foram apontadas falhas graves no controle de acesso, com registros de entrada de armas brancas e drogas nas dependências do hospital. Diante disso, trabalhadores reivindicam a presença de policiais militares em regime de plantão como medida de segurança.
O quadro de pessoal é outro ponto crítico. O hospital enfrenta um déficit de quase 150 profissionais, sendo necessários, segundo estimativas internas, 68 enfermeiros, 40 técnicos de enfermagem e 38 auxiliares de serviços gerais para funcionamento adequado. Atualmente, a unidade dispõe de 160 leitos e opera com 148 pacientes internados, o que evidencia alta taxa de ocupação diante das limitações estruturais.
A chefe do Departamento de Gestão do Exercício Profissional, Andressa Sindeaux, informou que o Conselho Regional de Enfermagem identificou profissionais atuando além de suas atribuições legais. Já o diretor administrativo do hospital, Marcos Vinícius de Sousa, relatou dificuldades para cobrir plantões com médicos especialistas em psiquiatria, o que tem levado à atuação de profissionais com pós-graduação em Saúde Mental, mas sem formação específica na área.
A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí informou, por meio de sua diretoria de engenharia, que o hospital passa por reformas estruturais, com previsão de conclusão até outubro de 2026. Em relação às medidas emergenciais, o diretor da Unidade de Descentralização e Organização Hospitalar, Anderson Dantas, afirmou que a secretaria deverá apresentar, no prazo de uma semana, um estudo técnico para viabilizar a alocação de novos profissionais.
Além das propostas apresentadas pelos participantes, a promotora Débora Aragão sugeriu a elaboração de uma matriz de risco, como instrumento para garantir a segurança física e institucional da unidade. A audiência contou ainda com a presença de representantes do Tribunal de Justiça do Piauí, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Regional de Medicina do Piauí.
O caso segue sob acompanhamento do MPPI, que deve formalizar recomendações nos próximos dias. O cenário expõe uma equação delicada: estrutura limitada, demanda elevada e risco crescente. Agora, a resposta do poder público será determinante para evitar que a tragédia se repita.

