Motoristas do transporte intermunicipal fazem paralisação no Piauí e cobram reajuste salarial

Categoria suspendeu atividades por três horas nesta segunda-feira (23) e aponta impasse nas negociações e incertezas sobre licitação do setor.

Os trabalhadores do transporte rodoviário intermunicipal no Piauí paralisaram parcialmente as atividades nesta segunda-feira (23). De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Piauí (Sintetro-PI), a interrupção durou cerca de três horas e ocorreu dentro de um estado de greve instaurado pela categoria, em meio a um impasse com o setor patronal sobre reajuste salarial, benefícios e as incertezas em torno do processo de licitação do serviço.

 

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A paralisação afetou linhas com destino a municípios como Altos, José de Freitas e União. Segundo o presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, a expectativa era de que pelo menos 70% dos trabalhadores aderissem ao movimento. O sindicato informou ainda que mais de 80 empresas prestam serviço ao Governo do Estado e que houve registros de paralisações em diferentes pontos do Piauí.

 

“O sindicato patronal não sentou na mesa de negociação porque disse que está na insegurança, devido o Governo do Estado ter feito um estudo em que gastou mais de R$ 3 milhões, visitando cidades, levantando o número de passageiros, e entregou para a Setrans, que por outro lado ainda não deu posicionamento se vai haver ou não licitação”, disse Antônio Cardoso, presidente do Sintetro-PI

 

Estado de greve e tentativas de negociação
O estado de greve foi anunciado em nota oficial publicada em 17 de março, após a frustração das tentativas de diálogo com os empregadores. Em 23 de janeiro, uma Assembleia Geral havia discutido as demandas econômicas da convenção coletiva de trabalho. Uma minuta de proposta chegou a ser elaborada e encaminhada aos empresários, mas as negociações não avançaram.

 

O Sintetro buscou ainda a mediação da Secretaria de Estado dos Transportes (Setrans), mas, segundo a entidade, não obteve retorno sobre a situação da licitação — o que, na avaliação do sindicato, contribuiu para o cenário de indefinição e insatisfação da categoria.

 

Antônio Cardoso afirmou que a convenção coletiva já está vencida e que os trabalhadores estão sem reajuste de salário em meio ao aumento do custo de vida. A mobilização, segundo ele, tem como objetivo chamar atenção do poder público para que seja dada uma definição sobre a realização — ou não — da licitação e o prazo para isso.

 

Impasse com os empresários

Os empregadores alegam que não têm como negociar a convenção coletiva sem que haja definição sobre a licitação — processo que determinará quais empresas continuarão responsáveis pelo serviço de transporte intermunicipal. Segundo os empresários, qualquer empresa pode participar do certame, o que gera incerteza sobre a continuidade das atuais operadoras no sistema.

“Isso depende muito do governador Rafael Fonteles. Se ele não sentar, não há avanço. Ele não recebeu o sindicato patronal nem o laboral. Como o governo do estado gastou mais de R$ 3 milhões com um estudo para a licitação, que já foi feito, ele já recebeu todas as informações, mas o secretário até agora não apresentou para o governador”, disse Antônio Cardoso, presidente do Sintetro-PI.

 

O Sintetro informou que, caso a indefinição sobre a licitação persista e não haja avanço nas negociações, poderá ser convocada nova assembleia para deliberar sobre a deflagração de uma greve de caráter mais amplo. O governo do estado não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.

 

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