O poeta William Melo Soares, de 72 anos, um dos nomes mais marcantes da geração Mimeógrafo dos anos 1970, foi encontrado morto na tarde da última segunda-feira (11) em sua residência, em Teresina, segundo familiares. Inicialmente, circulou a informação de que o corpo estaria no sítio do poeta, em Nazária.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passou por exames ontem, terça-feira (12). A perícia analisa as digitais de William, já que o corpo estava em estado de decomposição. As causas da morte ainda estão sob investigação.
Figura querida e presença constante nos encontros literários, William deixa uma obra que respira a cidade, a amizade e a celebração da palavra. Natural de Alto Longá, fez de Teresina não apenas tema, mas matéria-prima de sua escrita. Autor de livros como Com Licença da Palavra (1986), Congresso das Águas (1998) e Rota do Beija-Flor (2008), construiu um repertório que transitou entre o lirismo urbano e a observação sensível da vida cotidiana. Seus versos também ganharam vida na música, em parcerias com Israel Correia, Elmar Carvalho, Ednólia Fontenele, Danilo Melo e o Grupo Candeia.
Servidor da Fundação Cultural do Estado do Piauí, foi um incentivador incansável de projetos de leitura, como o movimento “Livro nas Escolas”, e criador de iniciativas como “Viver Teresina”, que espalhou poemas e postais pela cidade. Esteve presente em eventos como o Salão de Humor do Piauí, cultivando pontes entre linguagens artísticas.
Nas redes sociais e nas rodas de amigos, a notícia provocou comoção. O jornalista Zózimo Tavares traduziu o sentimento geral ao lembrar que, poucos dias após a partida da poetisa Graça Vilhena, o Piauí perde “o poeta-passarinho” que agora voa “para as lonjuras do Infinito”.
A bibliografia de William reflete sua pluralidade: de Ponta de Rua (1978) a Nadança dos Peixes (2015), passando por coletâneas, obras em coautoria e participações em antologias, entre elas A Poesia Piauiense no Século XX, organizada por Assis Brasil. Mais que livros, deixa memórias impressas no convívio afetuoso com gerações de leitores, músicos e poetas.







