
O Governo do Estado entregou, nesta terça-feira (18), a reforma e modernização do Memorial Esperança Garcia, localizado no Centro de Teresina. A obra é a primeira da capital concluída com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e tem como objetivo requalificar integralmente o espaço, ampliando sua função cultural, educativa e comunitária.
A intervenção recebeu investimento total de R$ 1,6 milhão, sendo R$ 1,2 milhão provenientes da PNAB e cerca de R$ 380 mil do Sistema de Incentivo Estadual à Cultura (Siec). Entre as principais melhorias está a construção de um palco externo, pensado para ampliar a realização de apresentações artísticas, especialmente ligadas às matrizes africanas e às mobilizações comunitárias.
O memorial também passou por revisão completa das instalações elétricas e hidráulicas, atualização do sistema de prevenção e combate a incêndio e aquisição de novos equipamentos, como aparelhos de ar-condicionado e bebedouros.
O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, representou o governo federal na solenidade e destacou o impacto da política cultural nacional na execução da obra. Segundo ele, o investimento reforça o compromisso com a modernização de espaços culturais. “Estamos celebrando este momento em que o memorial se transforma em um centro cultural modernizado, graças à política cultural que vem sendo implementada no país. O Estado recebeu R$ 1,6 milhão e executou com eficiência e rapidez”, afirmou.
O secretário estadual da Cultura, Rodrigo Amorim, ressaltou que a obra devolve à população um espaço ampliado e com novas possibilidades de uso. Ele destacou a instalação de sala de cinema, área de apresentações, palco coberto, praça revitalizada, climatização das salas, renovação do auditório e melhorias na fachada. “Este equipamento tem uma história de resistência. Estamos entregando um memorial restaurado, ampliado e preparado para receber diversas atividades culturais”, disse.
Espaço reforça identidade e memória da população negra
O memorial abriga imagens de personalidades ligadas à luta e à memória da população negra, como líderes comunitários, intelectuais e ativistas, a exemplo de Jacinta Andrade, Nego Bispo, Maria Sueli, Francisca Trindade e Mãe Beata de Iemanjá. As representações integram o prédio e reforçam o caráter de resistência, identidade e memória coletiva que marca os 18 anos de existência do espaço.
Para a coordenadora do memorial, Antônia Aguiar, a reinauguração fortalece o vínculo com a comunidade negra e melhora a receptividade aos visitantes. “Vamos poder receber muito melhor nossos visitantes, parceiros e, sobretudo, toda a comunidade negra, que reencontra aqui um espaço cultural ampliado, com auditório, área coberta e atividades como dança, teatro, capoeira e artes grafitadas”, afirmou.
A assistente social, trancista e coordenadora do Grupo Coisa de Nêgo, Chiquinha Aguiar, destacou o papel do memorial como espaço de acolhimento e valorização da identidade negra. “O cabelo é nossa coroa, é nossa identidade. Aqui não fazemos apenas tranças, mas compartilhamos histórias do nosso povo. Nossos passos vêm de longe, de Esperança Garcia, Dandara, Lélia Gonzalez e tantas outras mulheres. É um espaço que celebra a autoestima e a beleza negra”, disse.






