247 – Dois terrenos pertencentes ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho foram utilizados como lastro em uma operação de captação de R$ 330 milhões envolvendo o Banco Master, sem que o atleta tivesse dado aval ou tivesse conhecimento da emissão dos títulos, segundo seus advogados. As áreas foram incluídas como garantia em créditos estruturados que, após captados, tiveram os recursos direcionados a fundos de investimento ligados à própria instituição financeira, de acordo com apurações do Ministério Público Federal (MPF). A defesa sustenta ainda que a operação imobiliária que deu origem às tratativas já havia sido cancelada antes da emissão dos papéis, informa
As investigações indicam que o Banco Master, por meio do Fundo City 02 — do qual era o único cotista — concedia empréstimos a pessoas jurídicas que, na sequência, repassavam quase a totalidade dos valores a fundos administrados pela gestora de investimentos Reag. Assim como o Master, a Reag foi posteriormente liquidada pelo Banco Central. Parte relevante dessas operações tinha início com a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), títulos lastreados em créditos do setor imobiliário, como parcelas de financiamentos ou receitas futuras de aluguéis, usados para antecipar recursos no mercado.
A investigação do Banco Central aponta que diversas empresas adotaram dinâmica semelhante: primeiro, captavam recursos por meio da emissão de CRIs ou outros instrumentos financeiros e, em vez de investir em obras, realocavam os valores em fundos ligados ao próprio Banco Master e à Reag. No sistema bancário, o volume de ativos é um indicador central de solidez e capacidade de alavancagem. Ao registrar esses papéis como ativos, o grupo financeiro passava a apresentar patrimônio inflado, superior ao que efetivamente possuía em bens tangíveis ou ativos de qualidade.
Para os investigadores, a estratégia teria como objetivo melhorar artificialmente os índices do Master, atraindo investidores e elevando a credibilidade da instituição, ainda que os recursos circulassem em um circuito fechado, sem impacto real na economia. Nesse contexto, os terrenos serviriam apenas como uma “fachada” para a captação de recursos. Enquanto os títulos financeiros eram negociados e inflavam os indicadores, os lotes permaneciam vazios, sem qualquer obra em andamento.
As empresas envolvidas são alvo de investigações da Polícia Federal e foram atingidas por mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado destacou que o volume total de CRIs sob suspeita emitidos pela Base Securitizadora pode chegar a R$ 1 bilhão.







