Uma nova pesquisa sugere que a maior e mais antiga cratera da Lua não se formou da maneira que os cientistas imaginavam. A descoberta pode alterar o entendimento sobre a história do satélite natural e, potencialmente, redirecionar o foco das futuras missões Artemis, que pretendem levar astronautas de volta à superfície lunar – a próxima está prevista para 2027.
Mas o novo estudo publicado na Nature, liderado por Jeffrey Andrews-Hanna, cientista planetário da Universidade do Arizona, indica que o impacto ocorreu em um ângulo diferente do que se acreditava. “Isso significa que as missões Artemis pousarão na borda inferior da bacia – o melhor lugar para estudar a maior e mais antiga bacia de impacto da Lua”, explicou Andrews-Hanna em nota. É onde “a maior parte do material ejetado, proveniente das profundezas do interior da Lua, deve se acumular”.
Quando o oceano de magma gradualmente se solidificou em crosta e manto, restou “apenas aquela pequena porção de líquido imprensada entre o manto e a crosta, e esse é o material rico em KREEP”, explica o cientista.
“Nossa teoria é que, à medida que a crosta engrossava no lado mais distante, o oceano de magma abaixo era espremido para os lados, como pasta de dente sendo espremida para fora de um tubo, até que a maior parte dele acabasse no lado mais próximo”, disse ele.
Os dados vieram de medições feitas pela sonda Lunar Prospector, da NASA, que orbitou o satélite entre 1998 e 1999. Eles revelaram um padrão de radioatividade que reforça a nova hipótese sobre a direção do impacto – um detalhe que pode ajudar a decifrar o que realmente aconteceu nos primórdios do sistema Terra-Lua.
A NASA planeja pousar a missão Artemis III na região do polo sul lunar, em uma das nove áreas candidatas localizadas dentro da chamada “zona de respingos” do KREEP. Se os astronautas conseguirem coletar amostras desse material, os cientistas poderão, pela primeira vez, examinar fragmentos do manto lunar expostos pelo impacto.
Entretanto, o cronograma permanece incerto. Tanto o Artemis II, previsto para orbitar a Lua em 2026, quanto o Artemis III, que marcaria o retorno humano à superfície lunar após mais de meio século, já foram adiados. Cortes orçamentários propostos para 2026 aumentam o risco de novos atrasos – um fator que pode dar vantagem à China, cujo programa espacial tem avançado rapidamente.
Em 2024, a missão Chang’e 6 trouxe à Terra as primeiras amostras do lado oculto da Lua, coletadas justamente dentro da bacia SPA. Embora a China tenha compartilhado parte do material com parceiros internacionais, a Nasa continua impedida de participar dessas análises por restrições legais impostas pelo Congresso dos EUA.
“Com Artemis, teremos amostras para estudar aqui na Terra e saberemos exatamente o que são”, disse Andrews-Hanna. “Nosso estudo mostra que essas amostras podem revelar ainda mais sobre a evolução inicial da Lua do que se pensava.”







