Mães em Luta: busca por filhos desaparecidos clama por atenção

Mulheres ouvidas pela Agência Brasil têm, querem e exigem esperança. Em 2025, 84.760 pessoas desapareceram no Brasil.

A dor de mães que buscam por filhos desaparecidos ressoa em todo o Brasil, com 84.760 pessoas sumidas em 2025. Em datas como o Dia das Mães, a esperança por atenção e ação se renova, enquanto elas narram a jornada de incertezas, indiferença e preconceito enfrentada em delegacias e na sociedade. Para estas mães, a busca por um abraço de volta ou por um sinal que traga sentido à vida é constante.

Na zona rural de Bacabal (MA), Clarice Cardoso vive um pesadelo desde 4 de janeiro, quando seus filhos Ágatha Isabelle (6) e Allan Michael (4), juntamente com o primo Anderson (8), desapareceram enquanto brincavam perto de casa. Anderson foi encontrado, mas os irmãos seguem desaparecidos. Clarice encontra força no apoio do filho mais velho, André (9), e do marido Márcio, enquanto lida com a rotina de buscas e a esperança de cada ligação telefônica. Ela relata o preconceito que enfrenta ao buscar informações na cidade, distante de sua comunidade.

Um exemplo de resiliência é Ivanise Espiridião, fundadora do grupo Mães da Sé em São Paulo. Desde 23 de dezembro de 1995, ela procura por sua filha Fabiana, desaparecida aos 13 anos. O grupo, que hoje congrega mais de seis mil mães, oferece apoio mútuo e utiliza ferramentas como o aplicativo Family Faces para auxiliar na localização de desaparecidos. Ivanise enfatiza a importância de registrar o desaparecimento imediatamente, sem a necessidade de esperar 24 horas, conforme determina a Lei nº 11.259, e ressalta a necessidade de suporte psicológico para os familiares, como o oferecido por voluntários do grupo e pela psicóloga Melânia Barbosa.

Lucineide Damasceno, também integrante do Mães da Sé e fundadora da ONG Abrace, dedica-se a apoiar famílias em situação de vulnerabilidade. Seu filho Felipe desapareceu em 3 de novembro de 2008, aos 16 anos. Após uma crise de pânico em 2013, Lucineide transformou sua dor em ativismo, encontrando nas outras mães um porto seguro. Ela mantém viva a esperança do retorno de Felipe, guardando seus presentes de Natal há duas décadas, e busca conciliar a sua luta com a presença na vida de seus outros filhos e netos, adaptando-se às celebrações de Dia das Mães.

Clarice é mãe de Ágatha e Allan, desaparecidos em janeiro, no Maranhão – Arquivo pessoal
Cartaz para as buscas aos irmãos que desapareceram em Bacabal (MA) – Arquivo pessoal
Ivanise transformou a dor de perder a filha e luta por outros desaparecidos – Arquivo pessoal
Ivanise com a filha Fagna e a neta Eva, de 7 anos – Arquivo pessoal
Ivanise na escadaria da Sé – Arquivo pessoal

Com informações de: AGBR

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