
Durante mais de cinco décadas, um pequeno bar no Centro de Teresina se transformou em um dos espaços mais emblemáticos da vida pública da capital. O Bar do Santana, conhecido por reunir políticos, jornalistas, advogados e formadores de opinião, agora tem sua trajetória registrada em livro.
Muito além da venda de bebidas, o local funcionava como um ponto informal de encontro onde conversas, análises e bastidores da política piauiense aconteciam longe dos gabinetes oficiais. Em torno das mesas simples, discutiam-se rumos da cidade, crises políticas, alianças e cenários futuros que, muitas vezes, acabavam se confirmando.
Ao longo dos anos, o bar se consolidou como uma espécie de termômetro político. Não era um espaço de decisões formais, mas servia como ambiente privilegiado para compreender movimentos do poder local. Figuras centrais da política do Piauí passaram pelo Santana em diferentes épocas, tornando o local parte viva da história da capital.
Grande parte desse prestígio estava ligada à personalidade de Joaquim Santana, fundador e proprietário do bar. Conhecido pelo jeito irreverente e ao mesmo tempo respeitoso, ele mantinha o equilíbrio entre divergências políticas e convivência democrática. Discussões acaloradas faziam parte da rotina, mas o diálogo sempre prevalecia.
O bar também acompanhou as transformações urbanas, sociais e culturais de Teresina. Resistiu ao tempo, atravessou gerações e tornou-se um dos estabelecimentos mais longevos da cidade. Mesmo após a morte de Santana, quando o espaço passou a funcionar como restaurante, a memória do local permaneceu viva no imaginário popular.
Agora, essas histórias ganham registro definitivo com o lançamento do livro “Amigos do Santana – do bar à confraria”, de autoria de Gustavo Said e Nina Cunha. A obra reúne 187 páginas, fotografias históricas e está dividida em nove capítulos que reconstroem não apenas o cotidiano do bar, mas o contexto político e social que o cercava.
O lançamento acontecerá em dois momentos. O primeiro será nesta sexta-feira, 23 de janeiro, a partir das 18h, no endereço onde funcionava o antigo bar, na esquina das ruas Primeiro de Maio e Álvaro Mendes, atualmente Restaurante Santana, em encontro voltado a antigos e atuais frequentadores. Já a apresentação ao público geral ocorrerá na próxima terça-feira, 27, às 18h, na Livraria Entrelivros, localizada na avenida Dom Severino.
O prefácio do livro é assinado pelo jornalista e historiador Cláudio Barros, que também vivenciou o ambiente do Santana e destaca o espaço como um dos principais observatórios informais da política piauiense.
Mais do que nostalgia, a obra propõe uma reflexão sobre como a história política de Teresina também foi construída fora dos prédios oficiais. Por muitos anos, decisões, impressões e rumos começaram em conversas simples, atravessadas pela franqueza típica dos bares que se tornam parte da identidade de uma cidade.






