
Uma ampla maioria da população brasileira defende mudanças na jornada de trabalho e quer ao menos dois dias de descanso por semana. É o que aponta um levantamento nacional realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu 2.021 pessoas com mais de 16 anos em todos os estados do país.
De acordo com o estudo, 84 por cento dos entrevistados acreditam que o trabalhador deve ter no mínimo duas folgas semanais. O apoio ao fim da escala 6×1 também é expressivo, mas depende de um fator central: o salário. Ao todo, 73 por cento concordam com o fim do modelo atual, desde que não haja redução na remuneração.
Quando a possibilidade de corte salarial entra na discussão, o cenário muda. Apenas 28 por cento afirmam que aceitariam trabalhar menos mesmo recebendo menos. Outros 40 por cento apoiam a mudança somente se o salário for mantido. O dado mostra que, embora o desejo por mais descanso seja quase consenso, a preocupação com a renda pesa na decisão.
O levantamento também avaliou o nível de informação sobre o tema. Mais da metade dos entrevistados já ouviu falar da proposta que tramita em Brasília, mas só uma parcela pequena afirma conhecer o conteúdo em profundidade. Uma parte significativa da população ainda não tem conhecimento sobre o debate.
Entre os que inicialmente se dizem contrários ao fim da escala 6×1, há espaço para mudança de opinião. Parte desse grupo admite que poderia rever a posição caso a alteração não afetasse os ganhos mensais.
A pesquisa identificou ainda diferenças conforme o posicionamento político dos entrevistados. O apoio à mudança é maior entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e menor entre os que votaram em Jair Bolsonaro, embora também haja maioria favorável neste último grupo.
No Congresso Nacional, a proposta de redução da jornada de trabalho segue em tramitação. O texto já passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda precisa ser analisado pelo plenário da Casa e, posteriormente, pela Câmara dos Deputados. Caso avance, a implementação deverá ocorrer de forma gradual nos próximos anos, com redução progressiva da carga horária semanal.
Questionados sobre a chance de aprovação, pouco mais da metade dos entrevistados acredita que a medida deve avançar no Legislativo.






