
Israel e o grupo Hamas assinaram um acordo que marca a primeira fase de um cessar-fogo na Faixa de Gaza. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (8) pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio de sua rede social. Segundo ele, o entendimento prevê a retirada das tropas israelenses de áreas ocupadas e a libertação de todos os reféns.
Trump afirmou que o plano de paz contempla uma linha de retirada acordada para as forças israelenses e que o acordo estabelece “os primeiros passos em direção a uma paz duradoura”. O ex-presidente também destacou o papel de mediação exercido por Catar, Egito e Turquia nas negociações.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, informou que o governo israelense será convocado nesta quinta-feira (9) para votar a ratificação do acordo. Em declarações públicas, ele agradeceu às Forças de Defesa de Israel e elogiou o apoio norte-americano às negociações. Netanyahu classificou a aprovação da primeira fase como um avanço diplomático significativo e um feito estratégico para Israel.
Detalhes do acordo
As negociações ocorreram no Egito ao longo de três dias, iniciando na segunda-feira (6). Representantes dos Estados Unidos, Turquia e Catar também participaram das conversas.
O plano apresentado pelos Estados Unidos estabelece um cessar-fogo em 20 pontos. Entre os principais termos estão:
- Libertação de reféns e prisioneiros: Israel deverá libertar 250 prisioneiros e cerca de 1.700 detidos desde o início do conflito, em troca da libertação de todos os reféns em poder do Hamas. A previsão também inclui a soltura de mulheres e crianças palestinas presas após os ataques de 7 de outubro de 2023.
- Retirada militar: Tropas israelenses deverão se reposicionar para uma linha previamente acordada, como parte do processo inicial de desescalada.
- Ajuda humanitária e reconstrução: O Hamas exige o cessar-fogo permanente, entrada livre de ajuda humanitária, retorno dos deslocados e início da reconstrução da Faixa de Gaza, sob coordenação de um comitê palestino de perfil técnico e não político.
- Desarmamento e administração local: Israel demanda o desarmamento do Hamas e que o grupo se comprometa a não integrar qualquer futura administração da região. A gestão provisória de Gaza ficará a cargo de um comitê de tecnocratas palestinos. Em uma etapa posterior, a administração deverá ser transferida para a Autoridade Palestina, entidade reconhecida internacionalmente.
O acordo é considerado um marco inicial nas tentativas de encerrar o conflito, que já dura quase um ano e causou milhares de mortes e deslocamentos. A implementação da primeira fase será acompanhada por observadores internacionais e novos encontros estão previstos para tratar das etapas seguintes.






