IMEP intensifica fiscalização no Piauí e mantém 20 postos interditados por fraudes em combustíveis

Fotos: Renato Bezerra

Abastecer o carro pagando por combustível que não entra no tanque ou receber gasolina adulterada continua sendo um risco real para consumidores piauienses.

No Piauí, a fiscalização sobre postos de combustíveis foi reforçada pelo Instituto de Metrologia do Estado (IMEP), que tem ampliado operações de combate a fraudes e já mantém 20 postos interditados apenas em Teresina por irregularidades graves.

As ações fazem parte da Operação Tô de Olho Abastecimento Seguro, realizada em parceria com o Inmetro, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Ministério Público, Procon, Secretaria de Segurança e outros órgãos de controle. Segundo o diretor-geral do IMEP, Júnior Macedo, a fraude mais recorrente continua sendo a chamada “bomba baixa”, quando o equipamento entrega menos combustível do que o volume registrado no visor. Pela legislação, a tolerância máxima permitida é de 100 mililitros para mais ou para menos a cada 20 litros abastecidos.

Além dessa prática, fiscais têm encontrado fraudes mais sofisticadas, como manipulação eletrônica nas placas das bombas. Nesse tipo de esquema, criminosos alteram remotamente a programação dos equipamentos por meio de chips ou aplicativos, controlando à distância a quantidade efetivamente liberada ao consumidor. Também entram no radar combustíveis adulterados, conhecidos popularmente como “batizados”, que podem comprometer o funcionamento e a durabilidade dos veículos.

Posto localizado no Km 7, na zona sul de Teresina, com carretas paradas desde quando o posto foi interditado.

Um dos marcos recentes dessa ofensiva foi a Operação Carbono 8.6, considerada a maior do gênero no país. A ação resultou na interdição de 39 postos nos estados do Piauí, Ceará e Maranhão, sendo 30 deles em território piauiense. Os estabelecimentos foram lacrados e podem responder a multas que, somadas, ultrapassam R$ 30 milhões.

Embora o IMEP não tenha poder de prisão, o órgão atua como polícia administrativa: autua, lacra bombas e aplica multas que variam de R$ 200 a R$ 1,5 milhão, dependendo da gravidade da infração. Casos com indícios de crime são encaminhados ao Ministério Público e às forças policiais para investigação criminal.

A fiscalização também acende alerta sobre preços muito abaixo da média. De acordo com o IMEP, valores excessivamente baixos podem ser indício de irregularidades, seja por fraude volumétrica ou por adulteração do produto. O consumidor, nesses casos, deve redobrar a atenção.

Para ampliar o controle social, o instituto lançou o aplicativo “IMEP Fala Consumidor”, que permite registrar denúncias, acompanhar fiscalizações e consultar um mapa georreferenciado com os postos vistoriados e suas autuações. A plataforma também oferece serviços aos empresários, como emissão de segunda via de guias.

Apesar dos avanços, o cenário expõe um problema estrutural: a sofisticação das fraudes cresce em ritmo acelerado, exigindo investimento contínuo em tecnologia e capacitação. O próprio IMEP reconhece essa necessidade e planeja instalar, em Teresina, um laboratório especializado em análise de fraudes eletrônicas, para evitar que placas suspeitas precisem ser enviadas a outros estados.

Enquanto isso, a principal defesa do consumidor continua sendo vigilância. Especialistas recomendam desconfiar de preços muito baixos, observar se o rendimento do veículo mudou e exigir, sempre que houver suspeita, a aferição da bomba e o teste de qualidade do combustível no próprio posto. No abastecimento, poucos centavos de diferença podem esconder prejuízos muito maiores.

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