
A Argentina vive nesta quinta-feira (19) uma greve geral de 24 horas convocada pelas principais centrais sindicais do país contra a reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Javier Milei. A mobilização ocorre no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados analisa o projeto, já aprovado pelo Senado na última semana, intensificando o clima de tensão política e social.
A paralisação foi organizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), maior entidade sindical argentina, e teve início à 0h01, no horário local. Serviços essenciais foram impactados, com interrupção no transporte público, incluindo trens, metrô e ônibus, além de reflexos em bancos, escolas, universidades e hospitais públicos. A adesão afeta diretamente a rotina de milhões de argentinos.
O texto da reforma trabalhista propõe mudanças significativas nas regras atuais. Entre os pontos mais debatidos estão a possibilidade de ampliação da jornada diária para até 12 horas dentro de um sistema de compensação, a flexibilização de normas de contratação e demissão e limitações ao direito de greve em setores considerados essenciais.
O governo sustenta que as alterações são necessárias para modernizar a legislação, atrair investimentos, reduzir a informalidade e estimular a competitividade da economia. Já as centrais sindicais afirmam que as medidas representam perda de direitos históricos, com risco de jornadas mais extensas sem remuneração proporcional, redução de indenizações e enfraquecimento da atuação sindical.
A greve desta quinta-feira é a quarta paralisação nacional desde o início da gestão Milei, em dezembro de 2023, e evidencia o acirramento das disputas em torno das reformas estruturais defendidas pelo Executivo. Além da interrupção das atividades, os sindicatos buscam pressionar deputados durante a tramitação final do projeto na Câmara.
O Ministério da Segurança argentino informou ter adotado protocolos específicos para a cobertura dos protestos, com delimitação de áreas destinadas à imprensa e orientações para evitar posicionamento entre manifestantes e forças de segurança, diante do risco de confrontos.
Com a mobilização nas ruas e o debate no Congresso, o país enfrenta um momento decisivo sobre o futuro das relações de trabalho e da política econômica em 2026, em um cenário que pode gerar impactos tanto internos quanto na percepção internacional sobre a Argentina.




