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A deputada estadual Gracinha Mão Santa afirmou que o MDB surge, no atual cenário político, como um espaço mais “confortável” para articulações eleitorais. A declaração ocorre às vésperas de sua filiação ao partido, prevista para a próxima segunda-feira (23), movimento que também envolve o deputado Dogim Félix e reforça a bancada emedebista na Assembleia Legislativa do Piauí.
Em primeira análise, a parlamentar destacou que a sigla oferece melhores condições de construção de chapa. Segundo ela, o MDB reúne nomes com potencial de “puxadores de votos” e, ao mesmo tempo, valoriza os chamados candidatos de “cauda”, considerados estratégicos para ampliar o número de cadeiras conquistadas.
“O MDB está mais atraente para quem vem de outro partido. É uma sigla com mais possibilidades e onde há liberdade. Lá, ninguém manda em ninguém”, afirmou.
A deputada também ressaltou sua ligação histórica com o partido, ao lembrar que seu pai, o ex-governador Mão Santa, teve trajetória consolidada na legenda, o que, segundo ela, traz segurança política no novo alinhamento.
Relação com Georgiano Neto e cenário partidário
Questionada sobre o posicionamento do deputado Georgiano Neto diante das recentes movimentações partidárias, Gracinha adotou tom conciliador. Para ela, não há conflito, mas sim um processo natural de organização interna.
“Ele tem a responsabilidade de formar a chapa do partido dele. Isso não é desavença, é o papel dele. Cada um está cumprindo sua função”, pontuou.
Sobre a possibilidade de fusões partidárias, a parlamentar avaliou que o MDB tende a se fortalecer ao seguir de forma independente, evitando composições que possam fragilizar a estratégia eleitoral.
Voto pessoal deve prevalecer
A deputada defendeu que, nas eleições proporcionais, o voto tende a ser mais individual do que partidário. Segundo ela, o desempenho de candidatos a deputado depende diretamente da capacidade de mobilização própria.
“A eleição para deputado é muito pessoal. O eleitor vota na pessoa. Partido ajuda, mas não decide sozinho”, explicou.
Ainda nesse contexto, ela relativizou o impacto da popularidade do governador Rafael Fonteles nas disputas proporcionais, destacando que o efeito é mais evidente nas eleições majoritárias.
Críticas ao PP e rompimento político
Em tom mais contundente, Gracinha Mão Santa revelou insatisfação com o Progressistas, partido ao qual ainda está formalmente vinculada. A parlamentar classificou sua saída como resultado de um processo desgastante.
“Saí traumatizada. É um partido que fala uma coisa para o público e faz outra com seus aliados. Eu senti na pele o que é ser apunhalada pelas costas”, declarou.
Ao ser questionada se o episódio envolvia lideranças específicas, ela atribuiu a responsabilidade à cúpula partidária como um todo.
Contexto da mudança
A filiação de Gracinha e Dogim Félix ao MDB foi confirmada pelo presidente da Alepi, Severo Eulálio. Com as novas adesões, o partido amplia sua bancada para 11 deputados estaduais, consolidando-se como uma das principais forças políticas no Legislativo piauiense.
Outrossim, o movimento ocorre em meio à reorganização das chapas para as eleições de 2026, com partidos buscando nomes competitivos para garantir desempenho eleitoral e ampliar representatividade.
Com isso, a entrada de Gracinha no MDB não apenas reforça a legenda numericamente, mas também indica um reposicionamento estratégico no cenário político estadual, marcado por rearranjos, disputas internas e a corrida por espaço nas urnas.